Investigação da China aponta que houve dano grave às indústrias do país com importações

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

Porto Alegre, 30 de dezembro de 2025 – A China notificou a Organização Mundial de Comércio(OMC) que as indústrias de carne bovina do país tiveram graves danos com o aumento dasimportações de carne bovina. Segundo documento enviado pela China no último dia 19 ao Comitê deSalvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC) no período entre 2019 e o primeirosemestre de 2024, os principais indicadores de produção e operação da indústria doméstica decarne bovina sofreram uma deterioração geral, que afetou a participação de mercado, estoques,preços de venda, receita, lucro, produtividade, emprego e utilização da capacidade produtiva.

O país asiático também encaminhou no último dia 19 cópias do documento às missões deBrasil, Argentina, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos junto à OMC, com um prazopara envio de comentários até o dia 26 de dezembro.

Apesar de alegar tem sofrido prejuízos, o governo chinês ainda não informou se irá aplicaralguma medida de salvaguarda, como tarifas adicionais ou cotas de importação. Também nãosinalizou uma data de início ou a duração de uma eventual restrição. Segundo o governo chinês,caso seja decidido avançar com a aplicação da medida, conforme previsto no Acordo deSalvaguardas, a OMC será notificada.

O documento enviado pelas autoridades chinesas também inclui uma lista de países emdesenvolvimento que poderiam ficar isentos de uma eventual salvaguarda chinesa, como Bolívia,Chile, Costa Rica e outros 128. O Brasil, contudo, não figura na lista desses países eventualmentelivres de salvaguardas. Os países que figuram na lista de não tarifáveis vendem muito pouco paraa China. Mas o ponto que ficou claro é que os maiores países vendedores passarão a ter quotas,sinaliza o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias.

Por enquanto, contudo, não houve manifestações a respeito do tema por parte do Ministério daAgricultura e Pecuária (Mapa). Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes(ABIEC) informou que não recebeu novas informações sobre essa investigação de salvaguardas.

Para Iglesias, enquanto não houver uma definição concreta sobre a adoção e o tamanho dasquotas a serem aplicadas pela China, o mercado vai ficar turbulento no Brasil, com muitaespeculação. O fato é que o produtor chinês não consegue competir com o produto importado. Issoestá muito claro e irá trazer um adicional de dificuldades para esse mercado que, em 2026, setornará cada vez mais imprevisível, analisa.

Já os Estados Unidos informaram que já estão realizando consultas junto às autoridades daChina sobre o resultado da investigação, com o intuito de buscar esclarecimentos sobre a medida eum entendimento sobre formas de atender os objetivos estabelecidos no Acordo de Salvaguardas.

Ainda no documento divulgado pela China, o país informou que as importações de carne bovinaapresentaram um aumento recente, súbito, acentuado e significativo. Os volumes importados passaramde 165,9 mil toneladas em 2019 para 273,7 mil toneladas em 2023. Apenas nos seis primeiros meses de2024, as aquisições cresceram 17% frente ao primeiro semestre do ano anterior, atingindo 143,9 miltoneladas. Assim, a participação das compras externas no consumo doméstico local aumentouconsideravelmente, enquanto a fatia da indústria local retrocedeu entre 2019 e a primeira metade de2024.

Por conta do aumento das importações de carne bovina, a investigação chinesa concluiu aindaque os indicadores de mercado, estoques, preços, receitas e lucros da indústria doméstica tiveramuma queda generalizada.

Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)

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