[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Em novembro, o saldo líquido de empregos formais no mercado de trabalho (contratações menos demissões), reunidos no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foi de 85,9 mil vagas – diferença entre quase 2 milhões de contratações e 1,9 milhão de desligamentos. Foi o mais fraco da série recente (desde 2020, o começo da pandemia) e indicam que 2025 também terá o menor saldo dos últimos seis anos. Mas na divulgação dos números, um dado chamou a atenção: os chamados postos de trabalho não típicos – basicamente, temporários e intermitentes. No acumulado do ano, de janeiro a novembro, do saldo líquido de quase 1,9 milhão de vagas, 434,1 mil (22,9%) são consideradas não típicas. Já é 55% superior a todo o ano de 2024, quando somaram 279,2 mil (16,5% do total). Em 2023, foram 255,4 mil (17,2%).
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paula Montagner, observa um ponto negativo entre os intermitentes. “Em 2024, aproximadamente 66% dos vínculos intermitentes não apresentaram horas trabalhadas. Portanto, não tiveram remuneração”, afirmou. “Essa parcela era de 61,8% em 2023 e de 58,2% em 2022.” Segundo ela, tem crescido também o número de pessoas com contrato por tempo determinado. “Inclusive no setor público estadual e municipal. Professores, enfermeiros, assistentes de enfermagem e pessoas de apoio na assistência social.”
No acumulado de janeiro a novembro, o setor de Comércio abriu 299,6 mil vagas líquidas (somando as convencionais, temporárias e intermitentes). Apesar de ser o segundo em volume, foi o de pior crescimento percentual (2,8%) entre os cinco setores avaliados – Serviços (1.038.470 de empregos, +4,5% na comparação 2025 x 2024), Comércio (299.615, +2,8%), Indústria (279.614, +3,1%), Construção (192.176, +6,7%) e Agropecuária (85.276, +4,7%). Das quase 300 mil vagas criadas no Comércio, 186,3 mil foram no varejo, 67,9 mil no atacado e 45,4 mil na atividade de reparação de veículos. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou em 112,6 mil o número de empregos temporários no varejo durante o período de festas de fim de ano. Isso representa 5% a mais em relação a 2024. Segundo a entidade, aproximadamente 12,1 mil (11%) deverão ser efetivados.
5 MILHÕES – No terceiro mandato de Lula, o saldo total de empregos com carteira supera 5 milhões. Foram 1,4 milhão em 2023, 1,7 milhão no ano passado e 1,9 milhão agora. O estoque de empregos com carteira assinada chegou a 49,1 milhões, recorde da série. O número final de 2025 será menor devido ao resultado de dezembro, que será divulgado em 30 de janeiro. Ao apresentar os dados do Caged, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o resultado foi “muito positivo” em 2025. Ele não fez estimativas para 2026, mas disse que tem dois fatores importantes para a economia: aumento real (acima da inflação) do salário mínimo e isenção do Imposto de Renda até a faixa de R$ 5 mil. Marinho disse que chamou a atenção desde o primeiro semestre para a desaceleração no mercado de trabalho. “O papel dos juros foi muito determinante”, afirmou.
Questionado sobre a agenda de 2026, Marinho acredita que propostas que enfrentam resistência, como da redução da jornada semanal (de 44 para 40 horas) e da escala 6×1, podem avançar no Congresso, conforme a mobilização das entidades sindicais. “Parte do Congresso era hostil à isenção do Imposto de Renda. Passou pelo calor das ruas”, afirmou. Mas ele defendeu o entendimento por meio da negociação direta entre as partes nas convenções ou acordos coletivos de trabalho.
Saldo de empregos formais em 2025 (Caged/MTE)
Serviços: 1.038.470 (+4,5%)
Comércio: 299.615 (+2,8%)
Indústria: 279.614 (+3,1%)
Construção: 192.176 (+6,7%)
Agropecuária: 85.276 (+4,7%)