Porto Alegre, 2 de janeiro de 2026 – A adoção de quotas às importações de carne bovina porparte da China, a partir de ontem (1) traz uma perspectiva de embarques menos favoráveis ao Brasilem 2026, de acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias. A exportação do Brasiltende a cair em comparação a 2025. Também iremos sair de um quadro de menor oferta internaprevisto para 2026 para um cenário de disponibilidade maior, avalia.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Exportadoras de Carnes (ABIEC), a medidaestabelece uma quota crescente nos três primeiros anos, iniciando em 1,106 milhão de toneladas noprimeiro ano, com tarifa de 12% para os volumes dentro da quota e sobretaxa de 55% para os volumesexcedentes, resultando em tarifa total de 67% fora da quota.
Com a imposição da quota, o fato de o Brasil ainda manter o maior percentual de participaçãodentro da China frente a outros países, de um total estipulado para 2026 de 2,7 milhões detoneladas, é importante. Contudo, segundo Iglesias, a medida abre um precedente preocupante, umavez que o Brasil é bastante dependente da China nas exportações.
Conforme Iglesias, a quota imposta de 206 mil toneladas para a Nova Zelândia não foi tãosevera. Já para a Argentina e o Uruguai, as quotas impostas de 511 mil toneladas e 324 miltoneladas para este ano até podem estimular o crescimento dos rebanhos bovinos nesses mercados.
Iglesias entende que as cotas impostas aos Estados Unidos e Austrália neste ano, de 164 miltoneladas e 205 mil toneladas, respectivamente, foram mais proibitivas e pode complicar a situaçãodesses país. Entretanto, para os Estados Unidos o cenário não é tão preocupante assim pois opaís irá priorizar o consumo interno e não a exportação em 2026, visto que o tamanho de seurebanho está em declínio, avalia.
De todo modo, conforme Iglesias, a imposição de quotas pela China, deverá alterar toda adinâmica do comércio global de carne bovina em 2026. Haverá uma tarifa adicional de 55% sobre asimportações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, quando osembarques excederem as quotas determinadas, sinaliza.
As medidas da China terão duração de três anos, e a quota total aumentará a cada ano,atingindo 2,8 milhões de toneladas em 2028.
Perspectivas para a produção, exportação e oferta interna de carne bovina pelo Brasil em 2026
Segundo Iglesias, com as quotas impostas pela China, a dinâmica prevista para o Brasil no setorde carne bovina deve se alterar bastante frente ao quadro inicialmente previsto para 2026 decrescimento na produção e nos embarques e de queda na oferta interna.
A expectativa é de que a produção de carne bovina no Brasil em 2026 fique em 10,984 milhõesde toneladas, em equivalente carcaça. O número deve ficar 3,58% abaixo da maior produção dahistória prevista para 2025, que deverá atingir 11,392 milhões de toneladas, em equivalentecarcaça.
Safras & Mercado projeta que o Brasil poderá exportar 4,577 milhões de toneladas de carnebovina em equivalente carcaça em 2026, recuando 8,62% frente ao volume previsto para 2025, de 5,009milhões de toneladas.
Já a oferta interna de carne bovina em 2026 deverá atingir 6,453 milhões de toneladas emequivalente carcaça, 0,51% acima das 6,420 milhões de toneladas previstas para seremdisponibilizadas em 2025.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)
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