[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), divulgado pela Fundação Getulio Vargas, fechou 2025 no menor nível desde março de 2024. Com 104,5 pontos – a média é de 100 –, termina o ano em um nível “confortável”, segundo a economista Anna Carolina Gouveia, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). O indicador está abaixo de 110 pontos há quatro meses – cada 10 pontos equivalem a um “desvio padrão” da média histórica. “Nas médias móveis trimestrais, mantém trajetória de queda ao longo de 2025, sinalizando menor incerteza econômica para o ano.” Em outro indicador divulgado nesta segunda-feira (5), o Índice de Confiança Empresarial (ICE) subiu 0,3 ponto em dezembro, para 90,8 pontos, e mostra “viés de estabilidade”, de acordo com o FGV Ibre.
Para Anna Carolina, o resultado do IIE-BR reflete “a resiliência da economia, a recente desaceleração da inflação e maior previsibilidade da política econômica interna”. Além do que ela chama de “diminuição dos ruídos no cenário externo nos dois últimos meses” – a pesquisa é anterior à ação dos Estados Unidos na Venezuela. Mas em relação a 2026 ela aponta fatores que podem influenciar a economia: eleições presidenciais, possível desaceleração econômica e “intensificação do debate sobre as contas públicas”. O indicador tem dois componentes: Mídia (que caiu para 107,8 pontos) e Expectativas (recuou para 89,2). O primeiro “reflete o debate econômico nas notícias” e o segundo “mede a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas”.
No caso da confiança empresarial, a ligeira melhora de dezembro, segundo o pesquisador Rodolpho Tobler, também do FGV Ibre., “compensa a queda do mês anterior e encerra o ano com viés de estabilidade”. Para ele, apesar do resultado positivo e disseminado, apenas o indicador sobre as expectativas evoluiu, “especialmente na indústria de transformação.” O Índice de Expectativas Empresariais (IE-E) avançou 0,7 ponto, para 89,9, na quarta alta seguida. Além de recuperação, o dado sinaliza “redução gradual do pessimismo dos empresários sobre os meses à frente”. O otimismo com a demanda foi a 90,4 pontos (+2,6). Já o que mede expectativas sobre os próximos seis meses foi a 89,6 (-1,3).
Já o Índice da Situação Atual Empresarial (Isae) recuou 0,1 ponto, para 91,8. Esse indicador registrou queda em seis dos sete últimos meses, período em que acumulou perda de 3,9 pontos. Para 2026, o dado mais recente “pode indicar um cenário mais favorável”, disse Tobler. “Especialmente com a possibilidade de queda de juros e melhora do ambiente macroeconômico.” Por enquanto, o resultado se situa sete pontos abaixo do nível de dezembro de 2024, “evidenciando o descontentamento crescente dos empresários com o cenário presente ao longo do ano”.
Na primeira edição de 2026 do Boletim Focus, do Banco Central, a projeção para o IPCA do ano passado recuou para 4,31% e para este ano subiu para 4,06%. As estimativas para o PIB, estáveis, foram a 2,26% e a 1,80%, respectivamente. Na próxima sexta-feira (9), o IBGE divulga os dados do IPCA e do INPC de dezembro e do ano. Os resultados finais do PIB 2025 saem em 3 de março. E o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne, pela primeira vez em 2026, nos próximos dias 27 e 28.