[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A LET’S, empresa de tecnologia especializada na gestão e orquestração do transporte de produtos do varejo, ganhou tração ao atacar uma dor permanente do setor: reduzir custo e aumentar eficiência no delivery sem perder controle da operação. Com cerca de 150 varejistas na carteira — entre eles RD Saúde (Raia e Drogasil), Petz e Swift — a companhia integra mais de 200 transportadoras e apps como Uber, 99 e Lalamove para selecionar, em segundos, a melhor opção de entrega para cada pedido. “O sistema interpreta cada pedido como se fosse um leilão de capacidade em tempo real”, afirma André Mortari, sócio da empresa, à AGÊNCIA DC NEWS.
A empresa, no entanto, não nasceu com esse core. O negócio familiar lançado em 2015 por sua mãe, Sandra Mortari, começou como uma consultoria para restaurantes e somente em 2018 tornou-se uma plataforma de gestão de entregas, em resposta às constantes reclamações de seus clientes sobre os desafios de operar uma logística sem controle fino e sem tempo hábil para cotação em diversas empresas. Daí o estalo. Usar a tecnologia para, segundo ele, encontrar com as melhores oportunidades e objetivos de cada entrega. “Em 2018, todo mundo estava tentando entender como ganhar mais dinheiro com os aplicativos”, disse Mortari. “Essa demanda foi a base da nossa tecnologia e durante três anos desenvolvemos o software.”
E deu certo. Hoje são mais de 200 transportadoras e apps como a Uber, 99 e Lalamove integrados ao sistema, a companhia triplicou de tamanho em 2024 e, no ano passado, cresceu mais de sete vezes, embora o executivo não revele o faturamento. O core business da LET’S, de acordo com ele, é “fazer toda a orquestração da entrega para que você tenha um processo fluido”. Em cada encomenda, a LET’S analisa dados como uma avaliação (score card) de cada transportadora, a janela de entrega para cada envio, o preço, o risco e o contexto (por exemplo, se está chovendo ou não). “A inteligência artificial (IA) vai combinar todos esses dados para fazer uma probabilidade, com o custo total de entrega”, disse ele. “Em cima disso, geramos um resultado para selecionar a melhor opção.”
Nas redes varejistas, a economia média é de 28% no somatório de fretes. Já no segmento de restaurantes, em especial, o empresário afirma que a redução de custos nos pedidos chega a 60%. No total, em cerca de uma década, a startup com sede em São Paulo já viabilizou 75,2 mil entregas — o equivalente a uma volta ao mundo (359,7 mil quilômetros percorridos) — e gerou uma economia de R$ 276,2 milhões. A roteirização adequada também ajuda a reduzir a quilometragem total entre 20% e 30%.
Um case de sucesso da LET’S, que tem forte atuação no ramo farmacêutico, é a Drogal. A pequena rede de farmácias, com presença no interior, “tinha como objetivo achar formas de brigar de igual para igual com o avanço das grandes redes”, segundo ele. Portanto, a companhia estruturou o sistema digital de delivery da farmácia, com foco nos municípios do interior paulista, alinhando suas 400 lojas às transportadoras mais adequadas em cada lugar onde a marca está presente. Um dos percalços na implementação da tecnologia é o nível de informalidade e a dedicação dos entregadores. “Um entregador que não avisa ou esquece, não bate foto, enfim, qualquer coisa assim — isso quebra toda a narrativa de eficiência.” Na comparação com o serviço prestado às farmácias maiores, como a RD Saúde, a diferença está na escala e ruptura de estoques. “Você acaba tendo um benefício da escala no sentido de presença”, diz Mortari. “A maior presença de lojas gera uma ruptura menor, porque você consegue direcionar os produtos para uma loja próxima.”
A startup está presente em 2,2 mil municípios e possui, de acordo com o empresário, a maior malha virtual do país, com acesso a algo entre 600 mil e 700 mil automóveis para o transporte de produtos. “Existe um serviço de entrega naquela região, mas tudo gerenciado via WhatsApp”, disse ele. “Nós vamos lá, fazemos o trabalho de hunting e cadastramos o transportador.” A informalidade entre os motoristas ainda é um dos grandes desafios do setor, de acordo com Mortari, que vê seu programa de gestão de frotas como uma forma de incentivo à atividade. “Incentivar pequenos empreendedores também ajuda a reduzir custos fixos e a escalar rapidamente nos períodos de alta demanda.”