SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quase uma semana após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, Washington e Caracas retomaram os contatos diplomáticos, ainda que de forma limitada, e já avaliam a reabertura de embaixadas nos dois países.
A Venezuela anunciou nesta sexta-feira (9) o início do que chamou de “processo exploratório” para retomar as relações com Washington, que tinham sido rompidas em 2019. Os EUA, por sua vez, enviaram ao país sul-americano uma delegação liderada por John McNamara, encarregado de negócios americano na Colômbia, para fazer uma avaliação de uma possível volta gradual das operações diplomáticas.
Segundo comunicado divulgado pelo chanceler venezuelano, Yván Gil, o regime de Delcy Rodríguez, a líder interina, decidiu abrir um canal preliminar com Washington para restabelecer também as representações nos dois países. O texto, com tom cauteloso, afirma que os diálogos têm o objetivo de avaliar as condições para a retomada formal das relações bilaterais.
O regime venezuelano confirmou ainda a chegada da delegação dos EUA a Caracas e informou que enviará uma representação oficial a Washington como parte desse processo inicial de aproximação.
Em comunicado separado, a Venezuela reiterou que a fase atual é de “caráter exploratório”, sem explicar o que isso significa, e voltada à reconstrução da presença diplomática mútua. Do lado americano, funcionários do Departamento de Estado disseram que farão avaliações técnicas e logísticas para o aumento dos diálogos.
Trump disse que os EUA administrarão o país até uma transição e que o regime venezuelano entregará de 30 a 50 milhões de barris de petróleo aos EUA. Na quarta (7), o republicano afirmou que a supervisão americana sobre a Venezuela pode durar mais tempo e que o regime chavista tem aceitado tudo o que a Casa Branca julga necessário. Já Delcy afirma que não há agente externo governando a Venezuela.
A movimentação mais recente marca um gesto raro de diálogo direto entre os dois países após anos de ruptura. Ocorre também num contexto de tensão política e militar entre Caracas e Washington.
Apesar das iniciativas para reaproximação, diplomatas ouvidos pela agência de notícias AFP afirmam que Washington não tomou uma decisão sobre a reabertura da embaixada. Segundo as autoridades, que não entraram em detalhes, questões logísticas continuam em análise, embora os EUA estejam preparados para retomar a representação assim que o presidente Donald Trump autorizar.
Desde o fechamento da embaixada na Venezuela, as operações americanas relacionadas ao país passaram a ser conduzidas a partir da embaixada na Colômbia, que também funcionou sem um embaixador titular durante esse período.
Um jornalista da AFP registrou a saída de veículos da embaixada americana em Caracas, que havia sido fechada pouco depois de Washington não reconhecer a primeira reeleição de Maduro, em 2018. A segunda reeleição, em 2024, tampouco foi reconhecida e classificada de fraudulenta por observadores internacionais.
Maduro foi capturado em 3 de janeiro, durante uma incursão militar em Caracas, e levado com a esposa, Cilia Flores, a Nova York, onde responde a um processo por narcotráfico. Segundo o chanceler Yván Gil, as “consequências derivadas da agressão e do sequestro” do ditador farão parte da agenda de trabalho das conversas diplomáticas.