SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A explosão de novos conflitos geoeconômicos criou uma “nova ordem competitiva” entre os países e é apontada como o principal risco de curto prazo no mundo, segundo relatório de riscos globais do Fórum Econômico Mundial, divulgado nesta quarta-feira (13).
A perspectiva dos mais de 1.300 líderes locais e especialistas ouvidos pela organização apontam um mundo tempestuoso para os próximos dois anos, numa alta de 14 pontos percentuais em relação ao relatório de 2025.
Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados projetam um período de instabilidade no próximo ciclo de curta duração, enquanto 9% esperam estabilidade e 1% prevê calmaria.
Temas como desinformação, polarização social, eventos climáticos extremos e o crescimento de conflitos entre os países são apontados como novos pontos de tensão no mundo.
Na projeção para os próximos dez anos, a fatia de pessoas que projeta um mundo turbulento sobe para 57%, enquanto 32% esperam instabilidade e 1% calma.
Para o presidente e CEO do Fórum Econômico Mundial, Børge Brende, a reunião anual da cúpula em Davos (Suíça), marcada para a próxima semana, servirá como uma plataforma de compreensão dos riscos e oportunidades para o enfrentamento dos problemas em um mundo mais complicado.
“Uma nova ordem competitiva está se formando à medida que as grandes potências buscam assegurar suas esferas de influência. Este cenário em transformação, onde a cooperação se apresenta de forma marcadamente diferente de ontem, reflete uma realidade pragmática: abordagens colaborativas e o espírito de diálogo continuam sendo essenciais”, disse Brende.
Apesar dos desafios, os riscos crescentes não são inevitáveis e o relatório, que chega a sua 21° edição, pode ser utilizado para apontar o tamanho da responsabilidade compartilhada em moldar o que está por vir, segundo a diretora executiva do Fórum, Saadia Zahid.
O relatório organiza os níveis de risco em três períodos: imediato (neste ano), curto a médio prazo (próximos dois anos) e longo prazo (próximos dez anos).
As preocupações são bastante diversas neste intervalo de tempo, com o curto prazo permeado por temas mais ligados à violência de conflitos armados e a instrumentalização de ferramentas econômicas, enquanto a aceleração tecnológica e a degradação ambiental são os problemas do futuro.
Apesar de não mencionar a questão no relatório, a guerra comercial do presidente Donald Trump (EUA) e a escalada de tensões entre os países na Europa, na América e no Oriente Médio causou efeito entre os entrevistados. Os riscos geoeconômicos, por exemplo subiram oito posições do relatório de 2025 para 2026.
Como consequência de toda essa instabilidade, o confronto ameaça cadeias de suprimentos e o crescimento da economia em geral. Além disso, a capacidade de cooperação para lidar com choques econômicos, com medidas conjuntas que facilitam a reorganização dos países em momentos de crise, será diretamente prejudicada.
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Os dez maiores riscos globais no curto prazo (dois anos)
1 – Confrontos geoeconômicos
2 – Desinformação
3 – Polarização na sociedade
4 – Eventos climáticos extremos
5 – Conflitos entre países
6 – Insegurança cibernética
7 – Desigualdade
8 – Erosão dos direitos humanos ou de liberdade
9 – Poluição
10 – Migração involuntária
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Segundo o relatório, 68% dos entrevistados esperam uma ordem multipolar ou fragmentada na próxima década, um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao ano passado.
Fora do top 10, os riscos de recessão econômica e inflação subiram oito posições, para o 11° e 21° lugar, respectivamente. O potencial risco de estouro de uma bolha de ativos nos próximos dois anos, que é tema principal de diversos analistas econômicos, subiu sete posições, para o 18° lugar.
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OS DEZ MAIORES RISCOS GLOBAIS NO LONGO PRAZO
1 – Condições climáticas extremas
2 – Perda de biodiversidade e colapso do ecossistema
3 – Mudanças críticas em sistemas terrestres
4 – Desinformação
5 – Adversidades com as tecnologias de inteligência artificial
6 – Diminuição de recursos naturais
7 – Desigualdade
8 – Insegurança cibernética
9 – Polarização na sociedade
10 – Poluição
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O descontrole com o avanço da tecnologia, principalmente da inteligência artificial, é visto como um impacto de longo prazo, saindo do 30° lugar na perspectiva de dois anos para a 5° posição no recorte para os próximos dez anos. O relatório indica que esse salto reflete a ansiedade da população sobre as implicações da IA no mercado de trabalho, na sociedade e na segurança.
Para o futuro, os riscos ambientais lideram em preocupação, sendo que os eventos climáticos extremos, a perda de biodiversidade e mudanças críticas nos sistemas naturais da terra lideram os temores.
O relatório de riscos globais, organizado pelo Fórum Econômico Mundial, ouviu mais de 1.300 líderes e especialistas globais de universidades, empresas, governos, organizações internacionais e a sociedade civil.