[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Com resultado positivo de outubro para novembro (+1%), as vendas no comércio varejista devem fechar 2025 com o menor resultado em três anos e o equivalente a um terço de 2024, quando a alta foi de 4,7%, a maior desde 2012. Com dados até novembro, o volume cresce 1,5% no ano, ante 4,1% em igual período de 2024 e 1,7% em 2023. Para o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (IEGV-ACSP), a tendência é que o crescimento do ano passado fique em torno de 1,5%, ante os 2% projetados até então. Para este ano, a expectativa ainda é de arrefecimento, pelo menos no primeiro trimestre. “Continua a marcha da desaceleração”, disse.
Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (15) pelo IBGE, o volume de vendas no varejo restrito cresce 1,3% sobre novembro de 2024. Sobe 1,5% tanto no acumulado do ano como em 12 meses. No ampliado (que inclui veículos&peças e material de construção), quedas de 0,3% ante novembro, também de 0,3% no ano e de 0,2% em 12 meses. “O varejo restrito cresce cada vez menos”, disse Ruiz de Gamboa. No mês anterior, a alta acumulada era de 1,7%. No ampliado, a queda das vendas reflete “itens mais sensíveis ao crédito”. Ele atribui o resultado positivo de novembro à Black Friday, “principalmente na questão do comércio eletrônico”.
O cenário é o mesmo há alguns meses. “Juros altos, famílias endividadas e um consumo básico sustentado pelos aumentos que ainda existem de renda e emprego”, afirmou o economista. E deve continuar, pelo menos por enquanto. “A nossa projeção é que continue desacelerando no primeiro trimestre.” O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve começar a cortar juros apenas a partir de março, mas aos poucos. “E até que essa redução surta efeito vai demorar. Isso vai se refletir no comércio também.” O Copom faz a primeira reunião do ano nos próximos dias 27 e 28, mas a aposta majoritária é de manutenção da taxa básica (15% ao ano). O encontro seguinte será em 17 e 18 de março.

De janeiro a novembro, o segmento de mais peso na PMC (acima de 50%), que inclui super e hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cresce 0,7%. Apenas a atividade de super e hipermercados tem alta de 1,1%. Móveis&Eletrodomésticos sobe 4,2%, mas com comportamentos distintos: -4,5% e +7,1%, respectivamente. O varejo de produtos farmacêuticos acumula alta de 4,1%, enquanto o de combustíveis tem variação de 0,4%. No ampliado, veículos&peças cai 3,3% e material de construção, 0,2%. Segundo a PMC, sete das oito atividades do varejo restrito têm crescimento no ano. A exceção é o segmento de livros, jornais e papelaria (-0,8%).