Bolsa dispara pelo terceiro dia seguido e bate 180 mil pontos com impulso estrangeiro

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa de Valores disparou 1,86% nesta sexta-feira (23) e encerrou a semana a 178.858 pontos -novo recorde histórico.

No melhor momento do dia, chegou a 180.532 pontos. A chegada ao patamar inédito de 180 mil pontos coroa a sucessão de disparadas do principal índice acionário brasileiro, reflexo da entrada massiva de capital estrangeiro no país em meio à estratégia de diversificação de portfólios globais.

Os estrangeiros estão realocando recursos em mercados emergentes, menos expostos às tensões geopolíticas desencadeadas pelo governo Donald Trump, e o dito “pacote Brasil” se tornou uma opção recorrente nas carteiras nesta semana. A estimativa é que mais de R$ 12 bilhões de capital estrangeiro tenha entrado no Brasil ao longo de janeiro -quase metade do total aportado em todo o último ano.

O “pacote Brasil” envolve a compra de ações e a venda de taxas de juros futuros, que caíram nos contratos mais longos e ficaram estáveis nos de curto prazo. O dólar, por outro lado, fechou em estabilidade, com leve variação positiva de 0,08%, a R$ 5,286.

“A forte entrada de capital no índice beneficia os principais setores da Bolsa, como o financeiro e de metais. O destaque, porém, fica com óleo e gás, que corresponde a cerca de 15% do índice. A disparada de quase 3% do barril do petróleo Brent impulsionou o preço de ações neste segmento”, diz Guilherme Falcão, sócio da ONE Investimentos.

Reflexo disso, a Petrobras disparou 4,34%; a Vale, 2,45%.

O movimento no petróleo teve como estopim a sinalização do presidente Donald Trump de que está mobilizando o que chamou de “grande força” contra o Irã.

“Temos uma grande armada indo naquela direção e veremos o que acontece. Temos uma grande força indo em direção ao Irã”, disse Trump a repórteres que voavam no Air Force One de Davos (Suíça), onde o presidente participou do Fórum Econômico Mundial, para os EUA. “Eu preferiria que nada acontecesse, mas estamos monitorando-os de perto”, acrescentou, sugerindo que pode ir às vias de fato.

A medida gera preocupações no mercado sobre o fornecimento de petróleo no curto prazo, alavancando o preço do barril e, por consequência, as ações do setor petroleiro na Bolsa. Ela se soma, ainda, à discussão sobre a posse da Groenlândia. Trump disse na quarta-feira que Washington e a Otan haviam chegado a um acordo sobre a Groenlândia, mas os detalhes ainda são escassos.

Trump fala em “acesso total e ilimitado”, e a imprensa americana relatou que está em discussão a cessão de pequenas partes do território aos EUA para instalação de bases militares.

A menção a um acordo entre as partes atenuou as incertezas que rondavam as mesas de operação desde o final de semana, quando Trump ameaçou impor tarifas a oito países europeus caso não tivesse o controle da ilha ártica. O movimento foi lido como um recuo do presidente diante, dentre outros fatores, da reação dos mercados.

O morde-e-assopra de Trump, já conhecido pelos investidores desde a época do tarifaço no ano passado, tem fomentado diversificação de carteiras para fora dos Estados Unidos. Operadores têm buscado menos exposição à volatilidade dos mercados norte-americanos -e os emergentes têm se beneficiado dessa tendência.

O Brasil, na análise de especialistas, se destaca por características próprias, como o elevado diferencial de juros -a Selic está em 15% ao ano desde junho passado- e a exposição da Bolsa a commodities, como petróleo e minério de ferro.

Os agentes ainda repercutiram a decisão de política monetária do Japão. O Banco Central manteve o juro em 0,75% e divulgou seu relatório de projeções econômicas.

“Embora a expectativa majoritária do mercado tenha sido a manutenção da taxa de juros, qualquer sinalização mais firme em relação à inflação e à trajetória do iene pode gerar movimentos relevantes nos mercados globais e refletir nos ativos emergentes”, diz Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.

O mercado também monitorou dados dos Estados Unidos. O PMI mostrou que o crescimento da atividade empresarial permaneceu quase inalterado em janeiro, quando a melhora no volume de novos pedidos foi compensada por um mercado de trabalho fraco e por preocupações persistentes entre as empresas em relação aos custos mais elevados devido às tarifas de importação.

Já a confiança do consumidor norte-americano melhorou de forma geral em janeiro, embora as preocupações com os preços altos e com o mercado de trabalho tenham persistido.

“Estes indicadores ajudam a calibrar as expectativas do mercado em relação ao crescimento econômico e ao cenário de juros, com potencial impacto direto sobre o dólar global e os fluxos para mercados emergentes”, diz Riauba.

No Brasil, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra três autoridades do Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, para apurar irregularidades ligadas ao banco Master.

Os alvos de busca e apreensão são a sede do próprio Rioprevidência e endereços de pessoas relacionadas ao órgão. Uma deles é o atual presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes. Também houve buscas contra Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.

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