Brasília, 28 de janeiro de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básicade juros, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi unânime e dentro do esperado. No comunicado, oComitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da políticamonetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada paraassegurar a convergência da inflação à meta.
“O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerãoda evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação nohorizonte relevante para a condução da política monetária”, destaca o Copom.
Segundo o Comitê, o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução dapolítica monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada paraassegurar a convergência da inflação à meta. “Em ambiente de inflação menor e transmissão dapolítica monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”,completa.
O Comitê acrescentou seguir acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflaçãobrasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a políticamonetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.”O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas,resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”.
O Comitê entende que manter a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflaçãopara o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental deassegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações donível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
Inflação
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valoresacima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom parao terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 %no cenário de referência.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual.Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maiorresiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto maispositivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impactoinflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentementemais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração daatividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenáriode inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio ede um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitosdesinflacionários.
Cenários
O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nosEstados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela porparte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conformeesperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado detrabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia eas medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para ainflação.
Dylan Della Pasqua / Safras News
Copyright 2026 – Grupo CMA