Apesar de pressão de Trump, Fed interrompe cortes e mantém taxa de juros inalterada nos EUA

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) – O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciou nesta quarta-feira (28) a manutenção da taxa de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75%. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, apesar da pressão do presidente Donald Trump por mais reduções e das investidas contra o presidente do banco, Jerome Powell.

A votação desta quarta teve dez votos a favor da manutenção e dois contra -os diretores Stephen Miran, indicado por Trump ao cargo no Fed em 2025, e Christopher Waller, um dos favoritos da Casa Branca para assumir a presidência do banco, se posicionaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual.

O parecer da primeira reunião deste ano interrompe uma sequência de três cortes consecutivos, que levaram a taxa ao menor nível em três anos. A declaração desta quarta não ofereceu pistas sobre novas reduções.

Na entrevista coletiva após a decisão, Powell reafirmou a posição neutra, ressaltando a força da economia e dizendo que após os três cortes realizados em 2025, o banco está “bem posicionado” para tomar as decisões futuras de acordo com o comportamento dos dados econômicos.

A declaração das autoridades afirma que “a atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido” e que “a extensão e o momento de ajustes adicionais” à taxa dependeriam dos dados e da perspectiva econômica. Para o banco central americano, a inflação “permanece um tanto elevada”, enquanto o mercado de trabalho “mostrou alguns sinais de estabilização”.

Dados mais recentes mostraram que a taxa de desemprego dos EUA caiu para 4,4% em dezembro, apesar do crescimento fraco do emprego, e economistas preveem que o índice de preços PCE excluindo os custos de alimentos e energia aumente para 3% na comparação anual, bem acima da meta de 2% do Fed.

Os mercados futuros consideram provável que haja reduções mais adiante neste ano. No entanto, investidores veem a decisão desta quarta como o início de uma pausa mais duradoura de cortes.

“Para mim, parece que o comitê está confortável em manter a posição atual por algum tempo. O cenário base é que eles manterão a posição em março”, afirmou o diretor de pesquisa da AllianceBernstein, Eric Winograd.

“A mudança na declaração de política, reconhecendo o ritmo sólido recente do crescimento do PIB e a estabilização na taxa de desemprego, é mais uma evidência de que é improvável que o Fed corte as taxas de juros novamente por pelo menos mais algumas reuniões”, disse o economista-chefe adjunto para América do Norte da Capital Economics, Stephen Brown.

Na última reunião de 2025, houve divisão interna na instituição sobre os próximos passos. Sete dos 19 membros do Fed indicaram que não seriam necessários mais cortes por pelo menos um ano, enquanto quatro disseram que provavelmente seria necessário apenas mais um corte, e oito disseram que a taxa precisaria cair pelo menos 0,5 ponto percentual em 2026.

O Fed sofre pressão de Trump, que já solicitou diversas vezes reduções imediatas e acentuadas na taxa de juros, mas a dispersão de opiniões entre as autoridades mostra o obstáculo que o substituto de Powell enfrentará para conseguir algo além de cortes modestos.

Trump deve indicar alguém em breve para assumir o cargo de Powell, cujo mandato como chefe do Fed termina em maio. A busca por um novo nome ocorre em meio ao crescimento das tensões entre o governo Trump e Powell, que virou alvo de uma investigação criminal este mês.

O mercado teme que o republicano opte por um dirigente que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos. Powell não quis comentar o assunto quando questionado sobre a transição da presidência e sobre a possibilidade de ele continuar como diretor no Fed após o fim do seu mandato.

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