Anúncio de corte de juros em próxima reunião do Copom dá prazo para mercado se ajustar, dizem analistas

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ao divulgar sua decisão por manter a Selic (taxa básica de juros) em 15% ao ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou em comunicado que antevê iniciar uma redução de juros em sua próxima reunião, que acontece nos dias 17 e 18 de março.

O texto chamou a atenção de analistas. Adriana Dupita, da Bloomberg, diz que a decisão já era esperada, mas o tom do comunicado “é onde o bicho pega”.

“Eles se comprometem a começar o corte em março, o que é uma sinalização bem-vinda e bem importante para dar uma linha do tempo aos agentes de que [o Copom] vai começar a desapertar a política monetária”, afirmou.

“O comunicado trouxe sinalizações fundamentais para as próximas reuniões, e o ponto de maior inflexão foi a retirada da diretriz que mencionava a exigência de uma política monetária significativamente contracionista por um período bastante prolongado”, diz José Marcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

Juliana Inhasz, professora do Insper, afirma que já era esperado que o comunicado fosse mais brando, “mas com um discurso de ‘estamos de olho’”.

Segundo ela, o BC deverá fazer um pequeno corte na Selic em março e, então, mapear o mercado e entender como as coisas vão ocorrer.

TAMANHO DO CORTE

Os especialistas que acompanham a política monetária se dividem: a maioria diz que a primeira redução deverá ser de 0,25 ponto percentual, mas Dupita prevê uma redução maior, de 0,5 ponto.

“Só assim se afrouxa a política monetária, especialmente se for confirmado que as expectativas de inflação estão caindo”, ela diz. A economista também cita a trajetória do dólar, que fechou nesta quarta-feira (28) em R$ 5,207 e atingiu o menor nível em quase dois anos nesta semana.

“Eles devem ser discretos, vão querer sentir a temperatura”, afirma André Braz, do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV.

O economista lista alguns fatores que devem ajudar a controlar a inflação nas próximas semanas: o preço da gasolina pode cair em até 2%, o que implicaria uma redução de 0,1 ponto percentual no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e há possibilidade de bandeira verde na tarifa de eletricidade.

Por outro lado, ele afirma, é esperado que as mensalidades escolares influenciem na alta generalizada de preços.

Ailton Braga, que é assessor legislativo do Senado e já foi analista do BC (Banco Central) chama a atenção para a desaceleração da atividade. Segundo ele, os dados dessazonalizados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) indicam que o auge da atividade econômica ocorreu no início do ano passado.

Além disso, afirma, quando se observa o indicador de inflação dos últimos três meses, vê-se que a subida de preços está mais próxima do centro da meta, de 3%.

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