Desemprego atinge 5,1% no trimestre até dezembro e 5,6% na média de 2025, menores taxas da série

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A taxa de desemprego do Brasil recuou a 5,1% no trimestre até dezembro de 2025, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em setembro, que servem de base de comparação, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com o novo resultado, o indicador fechou a média do ano em 5,6%, depois de marcar 6,6% em 2024. Tanto a taxa trimestral até dezembro quanto a média anual de 2025 renovaram os menores patamares da série histórica iniciada em 2012.

O dado do trimestre veio em linha com as projeções de analistas do mercado financeiro consultados pela agência Bloomberg, cuja mediana também era de 5,1%.

Não havia previsões para a média anual. É a primeira vez nesse recorte que a desocupação fica abaixo de 6%.

As informações do IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que investiga tanto atividades formais quanto informais. As estatísticas de trabalho abrangem a população de 14 anos ou mais.

No trimestre até dezembro, que fornece um olhar mais recente, o número de desempregados foi estimado em 5,5 milhões.

É o menor contingente da série histórica. Recuou 9% ante os três meses até setembro (menos 542 mil pessoas).

Já o número de ocupados com algum trabalho (formal ou informal) alcançou quase 103 milhões. Houve alta de 0,6% frente ao período até setembro (mais 565 mil).

O dado mais recente é o segundo maior de toda a série histórica. Está bem próximo do recorde registrado no trimestre móvel até novembro (103,02 milhões).

O IBGE, contudo, evita comparar diretamente trimestres com meses repetidos. É o caso dos finalizados em novembro e dezembro.

“Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre [até setembro], o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, disse em nota a coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

O número de ocupados no grupamento de atividades que inclui o comércio teve aumento de 299 mil ante o trimestre até setembro. Houve impacto da demanda sazonal por mão de obra a partir de eventos como a Black Friday, conforme Adriana.

O segundo maior aumento (mais 282 mil ocupados) ocorreu nos ramos de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

O QUE EXPLICA O DESEMPREGO BAIXO?

O desemprego baixo ocorre mesmo em um um ambiente de juro alto, que dificulta o consumo e os investimentos na economia, já que o crédito fica mais caro.

Esse efeito, porém, não é “uniforme” entre as atividades, disse Adriana. Segundo a pesquisadora, o aperto do juro tem sido “amortecido” por questões como o aumento da renda, que estimula o consumo e, consequentemente, a geração de vagas.

No trimestre até dezembro, o rendimento médio do trabalho foi de R$ 3.613 por mês, conforme o IBGE. É o maior da série histórica.

Analistas afirmam que o desemprego caiu com o desempenho positivo da economia em meio a medidas de estímulo do governo federal.

Outra questão citada é a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação.

Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego porque uma pessoa sem trabalho também precisa estar em busca de oportunidades para ser considerada desocupada. Não basta só não trabalhar.

A população fora da força de trabalho, ou seja, que não estava ocupada nem desempregada, chegou a 66,2 milhões no trimestre até dezembro. Houve acréscimo de 0,5% ante o período até setembro (mais 313 mil).

O IBGE considera a variação dentro da margem de estabilidade estatística. Na comparação com o trimestre encerrado um ano antes, em dezembro de 2024, a população fora da força cresceu 2,1% (mais 1,3 milhão).

De acordo com Adriana Beringuy, do IBGE, o aumento tem um componente demográfico “bem importante”, mas não se resume a isso.

Ela afirmou que jovens também podem ter saído da força para se dedicar aos estudos graças à melhora da renda domiciliar.

O mercado de trabalho ainda é influenciado pela geração de vagas ligadas à tecnologia, apontam analistas.

Estudo recente do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou que atividades realizadas por meio de aplicativos reduziam o desemprego em 1 ponto percentual.

Conforme o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria renovou o recorde da série histórica no trimestre até dezembro (26,1 milhões), assim como o de empregados com carteira assinada no setor privado (39,4 milhões).

“Acreditamos que a taxa de desemprego seguirá em níveis baixos para os padrões históricos ao longo de 2026, sustentada por um crescimento do PIB próximo ao que entendemos como potencial [sem pressão na inflação]. Nossa projeção é de que a taxa de desemprego termine o ano em torno de 5,5%”, disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.

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TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE O DESEMPREGO

O que é o desemprego?

O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho.

Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades de trabalho.

Como funciona a Pnad Contínua?

É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores trabalham na coleta da pesquisa.

Como é medida a taxa de desemprego?

É a porcentagem das pessoas na força de trabalho que estão desempregadas.

A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal —ou seja, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.

O que explica o desemprego baixo?

Ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo da atividade econômica no país. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa, segundo analistas.

Que efeito o desemprego baixo pode ter na economia?

Com mais pessoas trabalhando, o consumo tende a crescer, já que a população tem mais renda disponível. Por outro lado, isso pode pressionar a inflação, já que eleva a demanda por bens e serviços.

Em meio a esse cenário, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida busca esfriar o consumo e conter o aumento dos preços.

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