Dólar e Bolsa sobem com fluxo estrangeiro e commodities no radar

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registra alta nesta segunda-feira (2), com investidores ainda atentos à repercussão da indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos). No cenário doméstico, analistas acompanham a retomada dos trabalhos no Congresso e STF (Supremo Tribunal Federal).

Às 14h03, a moeda americana subia 0,22%, cotada a R$ 5,257, em linha com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outras seis moedas e que subia 0,58%.

No mesmo horário, a Bolsa subia 0,61%, a 182.480 pontos, impulsionada pelo bom desempenho de Vale e de bancos brasileiros. O pregão também é beneficiado pelo fluxo de investidores estrangeiros para fora das praças norte-americanas.

No exterior, os mercados financeiros ainda reagem a indicação de Warsh ao comando do banco central dos Estados Unidos.

Warsh é visto como um defensor da postura “hawkish” (agressiva no combate à inflação e defensor de juros altos), que vai na contramão do que vem defendendo Trump, que exige a redução dos juros para 1%. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75%. O indicado deve assumir o cargo em maio, quando acaba o mandato de Jerome Powell.

A notícia impactou o setor de metais preciosos após sucessivos recordes nas última semanas. O ouro chegou a cair 10% e a prata, 15%, nesta manhã.

“Donald Trump é um dos grandes responsáveis por esses movimentos. Ele indicou para a presidência do Banco Central americano um nome visto como menos propenso a cortes profundos de juros no futuro. Com isso, os ativos reais têm sofrido bastante, especialmente as commodities”, afirma Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos.

Isso acontece porque, caso se confirme, juros mais altos significam que aplicar em títulos do governo americano fica mais atraente e rentável. Investidores estavam comprando ativos reais -como ouro, prata e outras commodities- com a perspectiva de juros mais baixos, buscando maior proteção de valor. Com o cenário mudando, essas posições ficam mais arriscadas, levando a venda desses ativos.

Kevin Warsh foi indicado na sexta-feira (30) pela manhã pelo presidente norte-americano. “‘Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvida de que ele entrará para a história como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo, ele é ‘central casting’ e nunca vai decepcionar”, escreveu.

As declarações dialogam com os ataques recorrentes de Trump a Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017, e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021. Desde o início do segundo mandato de Trump, Powell tem sido alvo de críticas por resistir às pressões da Casa Branca por cortes mais agressivos na taxa de juros.

Para Trump, a taxa norte-americana deveria ser reduzida para 1,5%. Os Fed Funds foram mantidos na banda de 3,5% e 3,75% na quarta-feira (28), uma pausa no ciclo de cortes de juros então em curso desde setembro do ano passado.

“Deveríamos ter uma taxa substancialmente mais baixa agora que até esse idiota admite que a inflação não é mais um problema ou uma ameaça”, escreveu o presidente no Truth Social na quinta-feira. “Ele está custando aos EUA centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessárias e sem justificativa.”

A indicação de Warsh para o cargo precisa ser confirmada pelo Senado até 15 de maio, data que marca o fim do mandato de Powell.

Operadores temiam tentativas de interferência política nas decisões do Fed, um banco central independente, através da escolha do novo presidente. A percepção é de que Warsh é um “nome com credibilidade” e que, apesar de defender juros baixos, “teria uma postura ‘hawkish’ [agressiva no combate à inflação]”, segundo análise inicial de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

Declarações de membros da Casa Branca sobre o indicado ao cargo, contudo, defendem que Warsh poderá ser menos firme na alta dos juros do que o projetado. “Warsh deverá ter uma postura mais sensível ao crescimento econômico e menos inclinada à manutenção de juros elevados por tempo prolongado”, diz Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

O dia também é marcado pela queda das ações da Petrobras e de outras empresas do setor de petróleo acompanhando a baixa da commodity, que chegou a despencar mais de 5% nesta manhã.

A queda do petróleo é motivada pela presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Irã estava “conversando seriamente” com Washington, sinalizando um acordo entre os países. Na semana passada, o preço do petróleo disparou após as tensões escalarem.

No cenário doméstico, investidores estão atentos a retomada das atividades do Congresso e STF. Entre as pautas, a possibilidade da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master é acompanhando por analistas.

Além disso, a possível indicação do secretário de política econômica da Fazenda, Guilherme Melo, para diretoria do BC, também está no radar dos investidores.

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