SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em novo recuo depois que agentes federais mataram duas pessoas em menos de um mês em Minneapolis, o governo Donald Trump disse nesta segunda-feira (2) que todos os membros do ICE, o serviço de imigração americano, e do CBP, a agência de fronteiras dos Estados Unidos, vão passar a usar câmeras corporais.
A medida foi anunciada pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e vale imediatamente para agentes de campo em Minneapolis, cidade onde o ICE e o CBP mataram Renee Good, no dia 7, e Alex Pretti, no dia 24, respectivamente.
De acordo com Noem, todos os agentes federais de imigração dos EUA vão ser equipados com as câmeras “à medida que o financiamento for disponibilizado”. “Esse é o governo mais transparente da história americana -obrigado, presidente Trump. Faça a América segura de novo”, esreveu a secretária em publicação no X.
O uso de câmeras corporais, que gravam agentes de segurança durante operações, era uma das exigências feitas pela liderança do Partido Democrata na disputa orçamentária que ameaça paralisar o funcionamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que comanda o ICE e o CBP.
Trump, que tem maioria de apenas três assentos no Senado e de dois na Câmara dos Representantes, trava um conflito acirrado com a oposição no Congresso para conseguir manter o governo federal funcionando. A disputa ganhou novos contornos depois da morte de Pretti, baleado pelo menos dez vezes depois que já estava imobilizado por agentes.
Depois de um acordo com senadores democratas na sexta (30), foi aprovado um pacote orçamentário que libera recursos para o governo até setembro de 2026 -com exceção do DHS, que foi separado da lei principal e receberá financiamento por apenas duas semanas.
Nesse ínterim, os democratas esperam conseguir negociar mais medidas para “conter o ICE”, nas palavras do líder da minoria no Senado, Chuck Schumer -uma das exigências era o uso de câmeras corporais por agentes.
Outras incluem proibir que agentes usem máscaras durante operações; exigir que só prendam pessoas se tiverem mandados judiciais para isso; o fim de operações batendo de porta em porta, sem alvos definidos; e a abertura de investigações contra os agentes que mataram Good e Pretti em Minneapolis.
Entretanto, a Câmara ainda precisa aprovar esse primeiro acordo, que financia o governo até setembro e o DHS, por duas semanas. Enquanto isso não for feito, as operações do governo federal americano ficam paralisadas -o chamado shutdown.
Alguns líderes democratas na Casa pedem que os colegas rejeitem o pacote orçamentário, dizendo que financiar a pasta em um momento em que “agentes mascarados invadem as casas das pessoas sem mandado”, segundo o deputado Jim McGovern, é impossível.
Do outro lado da disputa, republicanos linha-dura na Câmara que se opuseram à ideia de separar o pacote orçamentário geral -que inclui mais de US$ 800 bilhões (R$ 4,2 trilhões) para as Forças Armadas- do financiamento do DHS.
Segundo esses deputados, fazer isso seria ceder à oposição em um dos temas nos quais o partido governista mais tem força na opinião pública -imigração- e ferir de morte a campanha de deportação em massa de Trump.
Apesar de ter uma diminuta maioria na Câmara, a Casa Branca precisa dos votos democratas se quiser aprovar o pacote orçamentário rapidamente e evitar um novo shutdown prolongado, como o de 2025. Para passar a medida em regime de urgência, são necessários dois terços dos votos dos deputados.
De outubro a novembro do ano passado, uma disputa sobre financiamento de subsídios a planos de saúde paralisou o governo americano por 43 dias, o shutdown mais longo da história. Ele só terminou depois que um grupo de democratas no Senado rompeu com a liderança do partido e votou com os republicanos para aprovar o pacote orçamentário -o mesmo que precisa ser avaliado agora, já que o acordo de 2025 só previa financiamento do governo até o dia 31 de janeiro de 2026.