SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Para Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank, a liberação de parte dos compulsórios dos bancos para fortalecer o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) seria uma excelente solução, especialmente se fosse liberada parcela referente ao depósito a prazo.
Compulsório é a fatia dos depósitos que cada banco deve obrigatoriamente deixar guardada no Banco Central para casos emergenciais. Na pandemia, parte foi liberada para fomentar a economia, por exemplo.
“O FGC precisa ser recapitalizado. Ele trouxe confiança e estabilidade aos investidores e precisa ser preservado”, afirmou Kalim nesta terça-feira (3) ao comentar o resultado do banco em 2025.
A recomposição do caixa do FGC após o caso do Banco Master tem sido discutida pelos bancos junto ao Banco Central e ao próprio fundo.
O presidente do C6 também defende que o FGC mude regras para evitar novos casos semelhantes ao Master, que se capitalizaram utilizando a garantia do fundo como chamariz.
Com a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, o fundo pode desembolsar até R$ 40,6 bilhões com reembolsos. Além disso, o fundo estima que podem ser pagos aos clientes e investidores do Will Bank, outros R$ 6,3 bilhões. Dessa forma, sobrariam cerca de R$ 78 bilhões no caixa do FGC para novas coberturas.
Para recompor o FGC, os bancos associados podem ter que adiantar cinco anos de suas contribuições. Os pagamentos dos próximos 60 meses (cinco anos) por parte das instituições seriam feitos ainda no início de 2026 e uma eventual contribuição adicional está em discussão.
De acordo com Kalim, este adiantamento não iria interferir no balanço do C6, mesmo sem a liberação do compulsório. “Não é relevante para o nosso tamanho”, diz o executivo.
O presidente da fintech afirmou ainda que a liquidez vinda do pagamento das garantias do Master pelo FGC nas últimas semanas beneficiou a sua captação, com maior procura por parte dos investidores.
C6 LUCRA R$ 2,5 BI EM 2025
A fintech, que tem como sócio o americano JPMorganChase, anunciou na tarde desta terça que registrou lucro líquido de R$ 2,5 bilhões em 2025, um crescimento de 8,5% em relação a 2024.
O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), que mede a rentabilidade do banco, ficou em 45%, alto para o segmento.
Já a carteira de crédito expandida alcançou R$ 89,3 bilhões, um aumento anual de 49%, puxado principalmente pelo crédito consignado.
O banco espera um retorno ainda maior na modalidade do consignado privado nos próximos meses, dado o aprimoramento do modelo, com correções de erros operacionais, e a futura garantia do FGTS.
As despesas com PDD (provisões para devedores duvidosos) fecharam o ano em R$ 2,5 bilhões, alta de 32%.
Kalim se diz “um pouco otimista” com 2026, dada a expectativa pela queda na Selic, o que reduz o custo de capital e tende a aliviar a inadimplência. “O crescimento da economia deve seguir no mesmo patamar e o desemprego está na mínima.”
As contas em atraso por mais de 90 dias representaram 2,9% do total em 2025, ante os 2,6% registrados em 2024.
RAIO-X C6 BANK | 2025
Lucro líquido: R$ 2,5 bilhões
Fundação: 2019
Clientes: 40 milhões
Concorrentes: Nubank, Itaú, Bradesco, Sanatnder, Banco do Brasil