Justiça francesa faz buscas nos escritórios do X em investigação sobre Grok

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – Em uma escalada na investigação das práticas das redes sociais, a procuradoria da França realizou buscas nesta terça-feira (3) na sede francesa do X (ex-Twitter), na região da Ópera de Paris, em um inquérito sobre o uso da plataforma para divulgação de conteúdos criminosos.

O dono da empresa, Elon Musk, foi convocado a depor em Paris no dia 20 de abril, assim como Linda Yaccarino, CEO do X entre 2023 e 2025. Funcionários da empresa também foram chamados a testemunhar em abril.

A empresa é suspeita, segundo comunicado da procuradoria, de ter “falsificado o funcionamento de um sistema de tratamento automatizado de dados”, ou seja, de manipular seu algoritmo, e de contribuir para “a difusão de conteúdos negacionistas e de deepfakes de caráter sexual”.

A investigação que motivou a busca começou em janeiro do ano passado e é comandada pelo departamento de luta contra cibercrimes da procuradoria francesa, com apoio da Europol, agência policial da União Europeia.

Desde o final do ano passado, a ferramenta de inteligência artificial Grok, integrada ao X, passou a ser usada para produção de imagens de natureza pornográfica de mulheres e crianças. Em janeiro, diante da repercussão negativa, os responsáveis pelo Grok anunciaram ter limitado o uso da ferramenta para esse fim.

As autoridades europeias têm fechado o cerco nos últimos meses contra suposta negligência das empresas proprietárias das redes sociais na moderação de conteúdos criminosos.

Musk alega defender a liberdade de expressão, mas segundo especialistas sua definição daquilo que é legal entra em conflito com as normas europeias.

Não houve comentário imediato do X. Em julho, Musk negou as acusações iniciais e afirmou que os promotores franceses estavam iniciando uma “investigação criminal politicamente motivada”.

Após a audiência, as autoridades podem decidir arquivar ou continuar a investigação, e potencialmente colocar suspeitos sob custódia.

“Feliz em ver que minha denúncia de janeiro de 2025 está dando resultados!”, afirmou o parlamentar Eric Bothorel, no X. “Na Europa, e particularmente na França, o Estado de Direito significa que ninguém está acima da lei”, disse.

O Ministério Público francês também comunicou que está saindo do X e se comunicará, a partir de agora, no LinkedIn e Instagram.

O russo Pavel Durov, criador do aplicativo de mensagens instantâneas Telegram, manifestou-se no X nesta terça, após a divulgação da operação na sede da empresa de Musk.

“A França é o único país do mundo que está processando criminalmente todas as redes sociais que dão às pessoas algum grau de liberdade (Telegram, X, TikTok…). Não se enganem: não é um país livre”, escreveu.

Em agosto de 2024, Durov foi detido e indiciado na França, ao desembarcar em Paris em um jato particular proveniente do Azerbaijão. O Telegram é investigado em um inquérito por disseminação de conteúdos criminosos. Em março do ano passado, ele foi autorizado a deixar o território francês.

Nesta segunda (2), Musk anunciou a fusão de duas empresas de seu conglomerado, a SpaceX, de exploração do espaço, e a xAI, do setor de inteligência artificial.

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