SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O jornal Washington Post informou aos funcionários nesta quarta-feira (4) que iniciou o processo de demissão de inúmeros profissionais na reformulação que vai acabar com a cobertura esportiva e de notícias locais e internacionais da organização.
Matt Murray, editor-executivo da publicação, disse aos funcionários da redação que todas as editorias seriam afetadas de alguma forma. Ele afirmou que o resultado final do processo será uma publicação com foco ainda maior em notícias nacionais e política, além de negócios e saúde, e muito menos em outras áreas.
Segundo o jornal Financial Times, o jornal deve demitir cerca de um terço da equipe, que atualmente tem cerca de 800 trabalhadores.
Murray comunicou que a seção de esportes será fechada, mas alguns de seus repórteres permanecerão e serão transferidos para o departamento de variedades para cobrir a cultura do esporte.
O editor executivo acrescentou que a seção metropolitana do Post seria reduzida. A área de literatura também deixará de existir, assim como o podcast diário de notícias “Post Reports”.
Ele disse que, embora a cobertura internacional do Post também vai ser diminuída, os repórteres permanecerão em quase uma dúzia de locais.
“As ações que estamos tomando incluem uma ampla reestruturação estratégica com uma redução significativa de pessoal”, comentou Murray. A empresa também está fazendo cortes amplos no departamento comercial.
Ele afirmou que a empresa vem tendo prejuízo há muito tempo e não estava atendendo às necessidades dos leitores. “Sei que cada um de nós acredita profundamente neste lugar…e todos queremos salvá-lo”, disse.
“Devemos trabalhar juntos para nos tornarmos mais ágeis e encontrar novas formas de trabalhar e inovar para entender o que nossos clientes querem mais e o que querem menos”, acrescentou Murray.
Os cortes são um sinal de que Jeff Bezos, que se tornou uma das pessoas mais ricas do mundo vendendo coisas na internet, ainda não descobriu como construir e manter uma publicação lucrativa na internet. O jornal expandiu durante os primeiros anos sob sua propriedade, mas a empresa tem enfrentado dificuldades mais recentemente.
Bezos adquiriu o jornal por US$ 250 milhões em 2013. Dez anos depois, ele contratou Will Lewis como publisher para encontrar um caminho para o Washington Post ter lucro e reverter a queda de audiência e assinaturas. Lewis experimentou várias mudanças para transformar a organização, notadamente adotando inteligência artificial para impulsionar comentários, podcasts e agregação de notícias.
No final de 2024, Bezos descreveu a luta em uma entrevista em uma conferência organizada pelo The New York Times: “Salvamos o Washington Post uma vez, e vamos salvá-lo uma segunda vez”.
Em uma reunião com a equipe em 2024, Lewis alertou que a publicação estava em apuros. “Estamos perdendo grandes quantias de dinheiro”, disse ele. “Seu público foi reduzido pela metade nos últimos anos. As pessoas não estão lendo”.
O Washington Post está longe de ser o único entre os veículos de comunicação lutando para ter lucro. Para muitos veículos, a circulação impressa continuou a despencar, o tráfego digital foi prejudicado pela IA generativa e o público se fragmentou em várias plataformas de mídia social. Os editores tiveram que experimentar diferentes fontes de receita, como eventos e assinaturas premium, para compensar as perdas.