Fim da jornada 6x1 pode eliminar mais de 600 mil empregos formais, diz estudo

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O fim da escala 6×1 como é discutido hoje pode elevar custos das empresas, reduzir a produtividade e gerar a eliminação de mais de 600 mil postos de trabalho com carteira assinada no Brasil.

A projeção é de um estudo do CLP (Centro de Liderança Pública), ONG voltada ao desenvolvimento de políticas públicas e formação de líderes políticos.

O levantamento, que foi conduzido pelo economista e especialista em mercado de trabalho Daniel Duque, aponta que os principais segmentos afetados seriam construção, comércio e a agropecuária.

Esses setores veriam uma queda de 1,6% na quantidade de vagas formais caso a redução de jornada seja aprovada no Congresso Nacional, de acordo com o estudo.

As projeções de Duque indicam ainda uma queda de 0,7% na produtividade por trabalhador e uma redução de 1,1% no número de vagas formais, o equivalente a 638.742 postos de trabalho com carteira assinada.

De acordo com o estudo, se o fim da 6×1 vier como uma redução do teto semanal sem redução proporcional do salário mensal, o custo do trabalho por hora sobe mecanicamente.

“Para uma parte das firmas, isso pode ser absorvido por reorganização interna, redução de desperdícios e mudanças tecnológicas, mas, para outras, pode virar compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala”, diz o pesquisador.

O levantamento conclui que a consequência da redução de horas trabalhadas e eliminação de empregos seria uma queda de até 2% na produção do setor formal, com impacto negativo de 0,7% no PIB (Produto Interno Bruto).

Duque alerta que uma eventual redução na produtividade poderia ampliar a diferença já acentuada entre o Brasil e os demais países do mundo nesse tema.

O crescimento médio da produtividade do trabalhador brasileiro entre 2016 e 2025 foi de, em média, 0,5% por ano, bem aquém da média de 1,5% de expansão dos países emergentes.

Para determinar os possíveis efeitos do fim da 6×1, Duque utilizou como base um estudo internacional que avaliou os impactos da mudança da jornada de trabalho em Portugal.

No país europeu, a exemplo do que é discutido no Brasil, uma mudança na legislação determinou que as 44 horas trabalhadas na semana fossem reduzidas a 40 horas.

O resultado foi aumento de 9,2% no salário-hora, associado a uma queda de cerca de 1,7% no emprego e de 3,2% nas vendas, além de uma redução de 10,9% nas horas totais trabalhadas.

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