Lula elogia Galípolo, mas diz que 'todo dia' faz cobrança sobre juros altos

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou nesta quinta-feira (5) a elogiar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mas reforçou cobranças pela queda da taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 15% ano ano.

Em entrevista ao UOL, Lula descreveu Galípolo como um “um menino” com “expertise” e afirmou ter uma relação de confiança e acreditar no trabalho do economista indicado por ele para estar à frente da autoridade monetária.

“Bendito seja Deus de me dar a possibilidade de ter um quadro da capacidade do Gabriel Galípolo no Banco Central”, afirmou o presidente.

Lula afirmou que “todo dia” fala para o presidente do BC que os juros estão altos. “Eu falo, como eu dizia para o [Henrique] Meirelles. O Meirelles não tinha autonomia, mas o Meirelles me dizia: ‘Presidente, se eu baixar agora vai acontecer isso, se eu não baixar vai acontecer isso”, declarou o presidente.

“Como eu trabalho em uma relação de confiança, eu acredito naquilo que o Galípolo está fazendo. Acredito, confio. E agora eu não posso nem tirar ele. Eu indiquei ele, e tem mandato com a autonomia. Feliz do país que tem um menino, um jovem, da qualidade, com a expertise do Galípolo no Banco Central. Eu tenho certeza que o Brasil haverá de agradecer”, completou.

O alto patamar da Selic é uma das principais queixas por parte de aliados de Lula, com as pressões por uma redução aumentando em um contexto de ano eleitoral. Ministros como Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) são alguns dos governistas que endossam críticas à autoridade monetária, mas têm poupado Galípolo desde que ele assumiu o cargo.

Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em 28 de janeiro, o colegiado manteve inalterada a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta reunião seguida. Essa é a maior taxa de juros real em 20 anos.

Apesar da decisão conservadora, tomada por unanimidade, o comitê indicou que prevê dar início ao ciclo de queda da Selic no encontro seguinte, em março.

Voltar ao topo