PL define Carlos Bolsonaro para o Senado em SC e empurra candidata de Michelle para fora do partido

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O PL definiu que lançará o ex-vereador Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina e informou a deputada federal Caroline de Toni, apoiada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ela não terá lugar na chapa.

Com isso, De Toni deve se filiar ao partido Novo, que já se comprometeu a lançá-la para o Senado. A mudança de partido deve ser acertada nos próximos dias. A deputada informou ao PL sobre sua saída.

O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, reforçou o convite para que De Toni se filie ao partido e afirmou que, pela legenda, a candidatura dela “é inegociável”.

“O Brasil precisa de senadores com independência, preparo técnico e coragem para cumprir o papel constitucional do Senado, e a Carol reúne todas essas condições”, afirmou, em nota.

O Novo lançará nomes como o deputado Marcel van Hattem (RS) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (PR) na disputa pela Casa Alta.

A definição da chapa bolsonarista em Santa Catarina rachou o campo da direita e expôs a divergência entre Carlos e Michelle. A desavença voltou a ser explicitada nesta quarta-feira (4), com uma publicação da ex-primeira-dama nas redes sociais declarando apoio a De Toni.

Michelle publicou uma foto com a deputada e a legenda “estaremos com você, Caroline de Toni”. O impasse já gerou troca de farpas públicas entre correligionários.

De acordo com parlamentares do PL, o partido definiu nesta semana a chapa em Santa Catarina, com o governador Jorginho Mello (PL) candidato à reeleição e os candidatos ao Senado -Carlos e o senador Esperidião Amin (PP-SC).

De Toni ficou sem legenda para disputar o Senado e não tem interesse em tentar a reeleição na Câmara pelo PL.

Integrantes do PL afirmam que a relação entre Michelle e os filhos de Bolsonaro, que é marcada por conflitos, está bastante ruim —aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, dizem que ela não apoia a pré-candidatura presidencial do senador. Nesse contexto, a publicação a favor de De Toni foi lida como uma afronta a Carlos.

Quem convive com a ex-primeira-dama, porém, minimiza o racha e diz que mesmo Carlos e Jorginho seguem tratando De Toni como uma aliada. Esses interlocutores afirmam que não há problema no fato de Michelle fazer campanha para a deputada, já que os candidatos bolsonaristas devem manter o apoio mútuo mesmo em partidos diferentes.

Jorginho já havia anunciado que seu candidato a vice-governador será o prefeito de Joinville, Adriano Silva, que é do partido Novo. Integrantes do partido afirmam que ainda assim será possível lançar De Toni ao Senado em uma candidatura isolada, desvinculada da coligação ao governo, num arranjo que foi autorizado pela Justiça Eleitoral em 2022.

Aliados de Esperidião Amin afirmam que ele vai disputar o Senado independentemente do acerto entre os partidos, mas que sua preferência é integrar a chapa do PL.

Aliados da deputada estão otimistas em relação à eleição da deputada no Senado, apontando que a votação dela no estado é expressiva e que Carlos tem sofrido rejeição mesmo entre eleitores catarinenses da direita, por ser considerado um forasteiro.

O filho mais novo de Bolsonaro, Jair Renan (PL), também decidiu fazer carreira política em Santa Catarina, estado onde o bolsonarismo tem forte capilaridade. Em 2024, ele se candidatou a vereador em Balneário Camboriú e foi eleito com o maior número de votos do Legislativo local.

Até agora, Jorginho vinha defendendo a possibilidade de uma chapa pura do PL, com Carol e Carlos candidatos ao Senado. Mas a aliança com Esperidião Amin é considerada estratégica pelo PL.

Em 2022, Jorginho concorreu isolado ao Executivo, mas ao longo dos três anos de mandato ampliou sua base de apoio e passou a desenhar uma chapa para 2026 ao menos com PP e MDB, siglas que hoje integram o primeiro escalão da administração estadual.

O governador tem como adversário no campo bolsonarista o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que lançou pré-candidatura ao governo e poderia ter o apoio de Amin, caso o senador fosse preterido pelo PL.

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