Bancos esperam melhora na inadimplência com queda da Selic e desemprego em baixa

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Se o cenário macroeconômico seguir favorável, a inadimplência no Brasil tende a arrefecer, indicaram Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco. Com a perspectiva de queda da Selic e desemprego nas mínimas históricas, as contas em atraso tendem a estabilizar.

Além disso, com os repasses do governo federal aos programas de crédito para pequenas e médias empresas (PMEs), os balanços das instituições financeiras devem ficar mais saudáveis.

“A dinâmica de vários portfólios é melhor em 2026 do que foi em 2025. Esperamos uma performance melhor, sem dúvida, no nosso negócio de médias e pequenas empresas”, afirmou o CEO do Santander Brasil, Mario Leão, ao comentar os resultados do banco em 2025, na última quarta-feira (4).

As contas em atraso por mais de 90 dias do Santander foram de 3,4% em setembro para 3,7% em dezembro. Há um ano, o índice estava em 3,2%. As ações do banco caíram por dois dias com investidores reagindo à alta dos calotes.

Segundo o banco, o crescimento foi puxado pela baixa renda. Para melhorar os números da instituição, reduzindo o risco e ampliando os ganhos, o banco quer aumentar o percentual de clientes alta renda.

Considerando apenas os empréstimos para pessoas físicas, o percentual de contas em atraso por mais de 90 dias saiu de 4,3% em dezembro de 2024 para 4,6% ao fim do ano passado.

Maior ainda é o percentual de atrasos nos contratos de PMEs do Santander, que foram de 4,5% para 5,9%.

“No mundo de empresas pequenas e médias, ainda temos alguns subsegmentos pressionados pela macroeconomia, e o agronegócio”, disse Leão. O ano passado foi marcado por uma onda de recuperações judiciais de produtores rurais, iniciada pela quebra na safra de soja.

A alta na inadimplência de PMEs é explicada, em parte, pelo descasamento dos atrasos com o pagamento de garantias. Bancos esperam os repasses do FGI (Fundo Garantidor para Investimentos), do governo federal, para empréstimos a PMEs, o que deve reduzir o percentual de inadimplência das carteiras, reduzindo o custo de crédito e permitindo novos empréstimos a taxas mais baixas.

“O FGI, do ponto de vista de alocação de dinheiro público, tem retornos realmente impressionantes. Conseguimos chegar em empresas menores, que teriam mais dificuldade de captar recursos naquelas condições, especialmente nos prazos que conseguimos oferecer”, disse Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, ao comentar os resultados da instituição, nesta quinta (5).

Segundo o executivo, há um descasamento que pressiona os atrasos no curto prazo, mas não o custo do crédito, já que são contratos com garantia.

O Itaú tem registrado resultados acima dos concorrentes nos últimos anos por focar uma base de clientes de maior renda, o que representa menos risco e inadimplência e reduz os custos do banco.

Para pessoas físicas no Brasil, o índice de atrasos do banco é o melhor da séria histórica, a 3,6%, estável desde março. Segundo o banco, houve uma melhora qualidade da carteira de crédito pessoal.

A inadimplência de todas as linhas acima de 90 dias teve leve queda de 0,1 ponto percentual em 2025 na comparação com 2024, indo a 1,9%, abaixo do mercado -segundo dados do Banco Central, a média brasileira estava em 4,1% em dezembro.

“Não vemos nenhuma mudança material dos indicadores de inadimplência [para 2026]. Vemos uma boa qualidade da geração de emprego nesse ciclo, liquidez da isenção do imposto de renda e um consumo ainda muito resiliente. Um ponto de atenção é que o comprometimento de renda está em um patamar alto, ainda que a massa salarial esteja crescendo no Brasil”, disse Maluhy Filho.

Já o Bradesco, com maior participação da baixa renda em sua carteira, tem um percentual de atraso de pessoas físicas maior, de 5,4% ao fim de 2025, ante 5,1% no ano anterior. Na média total da carteira, a inadimplência teve um leve aumento de 0,1 ponto percentual, para 4,1%.

O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, porém, se diz otimista com este ano.

“Começamos 2026 em ritmo mais forte do que começamos 2025. Mantemos apetite ao risco moderado, porque o cenário macroeconômico ainda nos mostra desafios e incertezas, mas temos encontrado boas oportunidades e estamos otimistas com os nossos negócios”, afirmou Noronha ao divulgar os resultados do banco nesta quinta (5).

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