SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Para facilitar o acesso aos milhares de arquivos divulgados sobre o caso de Jeffrey Epstein, americanos criaram uma plataforma que simula o e-mail do criminoso sexual, contendo suas trocas de mensagens e interações com diversas personalidades.
Para o público em geral, tem tido difícil acessar o conteúdo revelado pelos EUA. Atualmente, eles estão carregados no Google Drive e podem ser acessados pelo site do Departamento de Estado em formato de vídeo, texto e fotos, sem muitas descrições que possam identificá-los.
Agora, no entanto, interessados podem navegar pelas correspondências de Epstein como se estivesse em sua própria conta do Gmail. O site, chamado Jmail, é bastante parecido com a plataforma de mensagens do Google. Ele possui quase a mesma interface e funcionalidades habituais.
As mensagens estão divididas pelos contatos, que incluem pessoas famosas e peças-chaves da investigação contra Epstein. O dono do X Elon Musk, o conselheiro de Trump Steve Bannon, o criador da Microsoft Bill Gates e o linguista Noam Chomsky são alguns dos nomes que aparecem no e-mail. Últimos recados são de julho de 2019, quando Epstein foi preso por novas acusações sexuais e morreu um mês depois na prisão.
A ideia surgiu do engenheiro de software Riley Walz e do engenheiro elétrico e cientista da computação Luke Igel. À WIRED, Igel relatou que apresentou a proposta ao amigo no ano passado e os dois a desenvolveram em uma única noite. “Clonamos o Gmail, só que você está logado como Epstein e pode ver os e-mails dele”, escreveu Walz em novembro pelo X.
Um dos criadores diz que, com o Jmail, a consternação em relação ao caso parece muito maior. “A sensação era de que o choque seria muito maior se você visse capturas de tela reais da caixa de entrada, mas o que você via eram PDFs de baixíssima qualidade e mal digitalizados. É preciso um pouco de imaginação para se lembrar de que se trata de um e-mail real”, relatou Igel.
“Acho que outras pessoas deveriam fazer coisas semelhantes, pensando que um pequeno software novo pode facilitar a compreensão de muitas coisas que acontecem no mundo. Simplesmente façam”, disse ainda Igel.
Ainda não foram incluídos todos os milhares de arquivos divulgados pelo governo americano. Na página, no entanto, há um aviso de que os novos documentos estão sendo incluídos semanalmente.
NOVOS DOCUMENTOS DIVULGADOS
Departamento de Justiça dos EUA publicou mais de 3 milhões de páginas de arquivos do caso de Jeffrey Epstein na última semana. Os documentos, liberados pelo órgão no último dia 30, incluem milhares de fotos e vídeos, alguns registrados pelo próprio bilionário condenado por crimes sexuais. A publicação dos arquivos era esperada até o dia 19 de janeiro, o que não ocorreu.
Governo Trump liberou os arquivos com atraso. A publicação era esperada até o dia 19 de janeiro, o que não aconteceu.
Inicialmente, presidente norte-americano tentou impedir a divulgação dos documentos. Mas, pressionado pelo Congresso norte-americano, por membros do próprio partido e pela opinião pública, ele finalmente cedeu e assinou a lei que obriga a publicação do material.
Na última semana, vítimas de abuso de Epstein e políticos de oposição expressaram indignação após a divulgação dos arquivos do caso, com páginas e fotografias censuradas e com tarjas pretas. Grande parte dos milhões de documentos liberados desde dezembro contém trechos censurados ou cobertos por quadrados pretos, o que reforça as dúvidas sobre se a divulgação será suficiente para pôr fim às teorias de conspiração sobre a lista de amigos poderosos de Epstein, incluindo o próprio Trump, e as circunstâncias de sua morte, em 2019.