Inflação fica em 0,33% em janeiro com pressão da gasolina e alívio da conta de luz

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 0,33% em janeiro, repetindo a taxa registrada em dezembro, apontam dados divulgados nesta terça (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Houve pressão da gasolina e alívio da conta de luz.

O novo resultado ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,32%, conforme a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 0,26% a 0,40%.

Com o dado de janeiro, o IPCA acelerou a 4,44% no acumulado de 12 meses, acima da variação de 4,26% até dezembro, disse o IBGE. O índice, porém, continua abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).

A aceleração em 12 meses está associada ao que economistas costumam chamar de troca de taxas.

Em janeiro de 2025, o IPCA havia registrado a menor variação para o primeiro mês do ano no Plano Real (0,16%). À época, o índice teve impacto atípico do bônus de Itaipu, que entrou em vigor com atraso, reduzindo a conta de luz na ocasião.

Como o IPCA foi maior em janeiro de 2026 (0,33%), o acumulado também ganhou força.

PRESSÃO DA GASOLINA E ALÍVIO DA CONTA DE LUZ

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, disse que o avanço de 0,33% não tem “nada de extraordinário” para o primeiro mês do ano. O técnico lembrou, por exemplo, que o IPCA havia subido mais em janeiro de 2024 (0,42%).

De acordo com ele, o índice de 0,33% é resultado de uma “queda de braço” entre componentes.

De um lado, a gasolina subiu 2,06% em janeiro. Com isso, gerou impacto de 0,10 ponto percentual no IPCA, o maior em termos individuais, seguido pela pressão da tarifa de ônibus urbano (0,06 p.p.), que avançou 5,14%.

De outro lado, a energia elétrica residencial teve redução no mês passado (-2,73%). Assim, exerceu a maior influência do lado das baixas no IPCA (-0,11 p.p.). A passagem aérea (-8,9%) veio na sequência do ranking de impactos (-0,07 p.p.).

Segundo o IBGE, a queda da conta de luz reflete a entrada em vigor da bandeira tarifária verde, sem custo adicional para os consumidores. Já a carestia da gasolina está relacionada com reajustes no ICMS (imposto estadual) no início do ano, acrescentou o instituto.

Há duas semanas a Petrobras cortou em 5,2% o preço do combustível vendido para as distribuidoras. A redução pode aliviar o IPCA de fevereiro se chegar até o consumidor final nos postos de gasolina.

ALTA DA ALIMENTAÇÃO É A MENOR PARA JANEIRO EM DUAS DÉCADAS

O grupo alimentação e bebidas, que tem o maior peso na composição do índice, desacelerou o ritmo de alta. Subiu 0,23% em janeiro, após marcar 0,27% em dezembro.

Por questões de oferta e demanda, os alimentos costumam ficar mais caros nos meses finais e iniciais do ano. A alta de 0,23%, contudo, é a menor para janeiro em 20 anos, desde 2006 (0,11%).

Dentro de alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio (em casa) registrou variação de 0,10% no mês passado, abaixo da taxa de dezembro de 2025 (0,14%).

Janeiro teve queda nos preços de produtos como leite longa vida (-5,59%) e ovo de galinha (-4,48%). Do lado das altas, o IBGE destacou a carestia do tomate (20,52%) e das carnes (0,84%), principalmente contrafilé (1,86%) e alcatra (1,61%).

A alimentação fora do domicílio, em locais com bares e restaurantes, também desacelerou em janeiro (0,55%) na comparação com o mês anterior (0,60%).

A supersafra de grãos em 2025 e a queda do dólar são questões citadas por economistas para explicar o comportamento recente dos preços de alimentos consumidos em casa.

As projeções, contudo, indicam uma pressão maior da inflação da comida em 2026, com produção inferior ao recorde do ano passado e sem a mesma contribuição do câmbio.

O Brasil terá eleições presidenciais neste ano, e o preço da comida costuma ser apontado como um dos principais elementos de influência no voto da população.

Fatores como emprego e renda, que tiveram recuperação no país, também são considerados relevantes na decisão dos eleitores.

META DE INFLAÇÃO E PROJEÇÕES

Em uma tentativa de frear a inflação, o BC levou a taxa básica de juros (Selic) para 15% ao ano.

A Selic em patamar elevado encarece o crédito, dificultando o consumo de parte dos bens e serviços com o passar do tempo.

Isso tende a reduzir a demanda e, assim, diminuir a pressão sobre os preços. O efeito colateral esperado é a perda de ritmo da atividade econômica, que já deu sinais no PIB (Produto Interno Bruto).

O BC persegue a meta de inflação cujo centro é de 3% no acumulado de 12 meses. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para menos ou para mais, o que significa piso de 1,5% e teto de 4,5%.

A meta é acompanhada de maneira contínua desde 2025, ou seja, sem estar vinculada ao ano-calendário de janeiro a dezembro.

No modelo em vigor, o alvo é considerado descumprido quando o IPCA acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

O índice estourou o alvo contínuo pela primeira vez em junho do ano passado, mas voltou a ficar abaixo do teto de 4,5% em novembro.

De acordo com analistas, a trégua dos alimentos, a queda do dólar e os juros altos contribuíram para frear o IPCA na reta final de 2025.

Para 2026, a mediana das projeções do mercado financeiro aponta inflação de 3,97% no acumulado até dezembro, abaixo do teto de 4,5%, conforme o boletim Focus divulgado pelo BC na segunda (9). Quatro semanas antes, a previsão estava em 4,05%.

Conforme economistas, o BC deve cortar a Selic a partir de março, quando haverá a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O próprio colegiado sinalizou isso em seu encontro mais recente, em janeiro.

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