Fim da escala 6x1 elevaria custo do trabalho em 7,84%, diz estudo do Ipea

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O fim da escala 6×1 -seis dias de trabalho e um de descanso- elevaria o custo da mão de obra em 7,84% no país, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça-feira (10).

Os dados levam em consideração o trabalho formal, com contratos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), e uma redução de 44 horas para 40 horas semanais com escala 5×2. Para implantação da escala 4×3, com 36 horas de trabalho por semana, os custos subiriam 17,57%.

A alta, no entanto, poderia ser absorvida pela economia, por se assemelhar à política de valorização do salário mínimo, com reajuste acima da inflação.

“É verdade que existe um custo, mas existem diversos indícios de que ele possa ser absorvido. São custos com os quais já tivemos experiências parecidas e a economia foi capaz de absorver”, avalia o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Felipe Pateo, um dos responsáveis pelo estudo.

Segundo Pateo, a lógica é contábil: com menos horas trabalhadas e o mesmo salário mensal, o valor da hora aumenta, o que gera um custo adicional para as empresas. Ainda assim, ele afirma que o país vive um momento favorável para discutir mudanças desse tipo.

Os resultados da análise feita por Pateo, pela técnica de planejamento e pesquisa Joana Melo e pela pesquisadora Juliane Círiaco, mostram ainda que, dependendo do peso do setor, o impacto percentual da elevação dos gastos seria menor, indicando efeitos reduzidos nos custos totais.

Os setores mais afetados seriam os de vigilância, segurança, limpeza e seleção de pessoal, por serem mais dependentes da mão de obra. Nesse caso, a alta do custo operacional é calculada em 6%.

Já setores como indústria e comércio, com forte geração de emprego e uso de tecnologia –no caso da indústria– terão impacto bem menor, de 1%. Esses setores abrangem 13 milhões de trabalhadores.

O estudo considerou as jornadas registradas na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), abrangendo os 44 milhões de trabalhadores celetistas na Rais de 2023. Ao todo, há 31,8 milhões com jornada de 44 horas semanais, equivalente a 74% dos que tiveram a jornada informada no relatório.

Em 31 dos 87 setores econômicos analisados, mais de 90% dos trabalhadores têm jornadas acima de 40 horas semanais. A transição pode ter custo menor, segundo Pateo, se a redução for diluída. Ele aponta ainda que o aumento do custo não é acumulativo e ocorre apenas uma vez.

DESEMPREGO E DILUIÇÃO DOS CUSTOS

Os autores afirmam que o aumento do custo do trabalho não implica necessariamente redução da produção ou elevação do desemprego. Segundo eles, o Brasil já enfrentou choques relevantes anteriores e não houve impactos como este.

Um dos argumentos é que a redução da jornada de trabalho prevista na Constituição de 1988, de 48 para 44 semanais, não teve impacto negativo sobre o emprego.

Pateo afirma ainda que o estudo evita projeções fechadas ou comparações diretas com outros países no que diz respeito ao desemprego. “Não faz sentido transferir resultados de outra economia para a realidade brasileira. O objetivo é analisar o cenário com base nas condições atuais do país.”

Para ele, o Brasil vive um bom momento para fazer a redução da jornada sem corte de salário, já que está com o mercado de trabalho aquecido e tem registrado mínimas históricas para o desemprego. Além disso, diz que a mudança pode tornar o emprego formal mais atrativo.

Ele aponta que muitas empresas já negociam escalas como a 5×2, mesmo sem previsão legal, diante da dificuldade de retenção de trabalhadores em alguns setores. “Isso pode contribuir para fortalecer a CLT e estimular a migração da informalidade para a formalidade”, avalia.

Sobre possíveis efeitos inflacionários, avalia que o impacto ocorre de forma pontual, no momento da mudança da jornada máxima. “Uma vez feita a alteração, não há propagação do efeito ao longo do tempo. Não se trata de um fator inflacionário contínuo”, afirma.

Ele diz que a mudança gradual na jornada faz com que os custos sejam diluídos. A PEC (proposta de emenda à Constituição) 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), aprovada na CCJ do Senado no final de 2025, trata dessa gradação.

O texto reduz de forma progressiva a jornada de trabalho de 44 horas semanais até chegar a 36 horas. No ano seguinte à promulgação, a carga horária seria reduzida de 44 para 40 horas semanais. Nos três anos subsequentes, haveria uma diminuição de uma hora por ano até alcançar as 36 horas semanais.

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