Com Orestes Miraglia Neto, Domino’s aposta em solução à brasileira para reduzir custo de franquias

Uma image de notas de 20 reais
Antes de ser CEO da Domino’s Brasil, Miraglia Neto foi franqueado e operou dez lojas simultaneamente
(Divulgação)
  • Forno criado no Brasil reduz em até dois terços o custo do equipamento das franquias da Domino’s. Modelo começa a ser replicado no exterior
  • Novos formatos de lojas menores e revisão da logística entram na estratégia da Domino’s no Brasil. Rede projeta abrir 25 unidades este ano
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Uma adaptação criada pela operação brasileira da Domino’s para reduzir o custo de abertura de franquias começou a ser adotada por unidades da rede no exterior. O novo forno, desenvolvido a partir de uma demanda local, custa cerca de um terço do modelo originalmente exigido e surgiu após o CEO da Domino’s Brasil, Orestes Miraglia Neto, constatar que o equipamento importado consumia metade do investimento para abrir uma loja. “A pergunta era simples: ‘Como eu vou fazer uma loja de R$ 400 mil se o forno custa tudo isso?”. A resposta também era. “Não dá”, disse o executivo à AGÊNCIA DC NEWS.

A tropicalização do forno, termo usado para definir a inovação criada pelo braço brasileiro da operação, se deu por meio de uma parceria com Pietro Fornos. Nasceu um equipamento sob medida para a demanda específica da Domino’s – exigência da holding para manter o padrão na rede. Deu certo. A versão brasileira corresponde a um terço do preço da opção americana.

Segundo o executivo, o novo forno não tem sido a única parte da operação da Domino’s que se destaca à moda brasileira. Por aqui também foram desenvolvidos novos formatos de lojas que exigissem menor investimento, com operações em quiosques e unidades com até 50 metros quadrados. “Eles estão impressionados como a gente conseguiu fazer lojas menores”, afirmou o executivo. “Esse processo que eu inventei já está sendo usado no Japão e Equador.” 

NOVOS FORMATOS – Em 2024, quando ocupava na operação brasileira o cargo de diretor de Franquias, Expansão e Operações, o executivo começou a implementar os formatos alternativos. Era algo quer sentia na comunicação com os potenciais franqueados. Antes, para abrir uma franquia da Domino’s era necessário um espaço de pelo menos 150 metros quadrados que obrigatoriamente tivesse uma sala refrigerada de 10 a 15 metros quadrados. “Isso já inviabilizava o local quando o franqueado ia procurar”, afirmou.

O primeiro passo para lidar com isso, afirmou o executivo, foi desenvolver também geladeiras para bandejas de massa visando ocupar menos espaço da unidade. De acordo com ele, esse processo deve ser aplicado na Espanha e no México, e também já está em funcionamento no Japão e Equador.

Em 2024, o executivo se tornou coCEO da Domino’s no Brasil e, com um olhar mais amplo da operação, percebeu que era a hora de rever também a operação logística da rede que vende 19 mil pizzas por dia. A massa da pizza, anteriormente centralizada em uma fábrica em Itapecerica da Serra (SP), passou a ter novos pontos de distribuição com estímulo à produção dentro das unidades, facilitando o acesso aos mais diversos franqueados.

Esse movimento, segundo o executivo, influenciou sua chegada ao cargo de CEO em janeiro deste ano. Defensor da produção local a fim de reduzir custos com fretes e tributos estaduais, ele disse que a alteração incentivou os franqueados a voltar a investir e expandir os negócios. “Quero ser lembrado por esses avanços”, disse.

Quiosque da Domino's
Lojas com metragens menores, inclusive quiosques, surgem na gestão de Miraglia Neto
(Divulgação)

EXPANSÃO  Com 222 lojas em operação no Brasil, o plano da rede é inaugurar 25 restaurantes este ano, acompanhando o bom desempenho da operação global.  A estratégia de expansão da Domino’s ocorre em meio a um momento de crescimento consistente da rede em todo o mundo. Em 2025, a companhia registrou vendas globais no varejo de US$ 20,1 bilhões, com avanço de 5,4% no ano, enquanto a receita consolidada chegou a US$ 4,9 bilhões, alta de 5%.

A expansão da marca também foi sustentada pela abertura líquida de 776 lojas ao redor do mundo ao longo do ano passado, elevando o sistema para mais de 22 mil unidades em mais de 90 mercados. Conforme a companhia, o avanço reflete a estratégia global chamada Hungry for More, que busca ampliar simultaneamente vendas, número de restaurantes e rentabilidade para franqueados.

O modelo de franquias continua sendo a espinha dorsal da operação da Domino’s: cerca de 99% das lojas são operadas por franqueados independentes, o que faz com que o crescimento da rede esteja diretamente ligado à capacidade desses operadores de expandir e manter a rentabilidade das unidades.

Nos Estados Unidos, as vendas em lojas comparáveis avançaram 3% em 2025, enquanto o negócio internacional registrou crescimento de 1,9%, mantendo sequência de 32 anos consecutivos de expansão nesse indicador. A companhia também destacou a importância de ganhos de eficiência operacional e de escala para sustentar a expansão global – fatores que se refletem diretamente na lucratividade das franquias e no avanço da rede para novos mercados. O relatório, no entanto, não separa a performance por região. 

INÍCIO – Engenheiro civil por formação, o mineiro Miraglia Neto estava próximo a completar 30 anos, no começo dos anos 2000, quando teve sua primeira interação com a marca Domino’s, durante uma viagem ao Rio de Janeiro (RJ). “Vi um motoboy deles e, como fiz intercâmbio, já conhecia [a marca] do exterior”, disse. A ideia de franquia agradou e ele marcou uma reunião com representantes do grupo mexicano Alsea, que administrava a empresa, em 2001. À época, o valor inicial de investimento em uma unidade era de R$ 400 mil. “Falei que só tinha 15% desse valor e me disseram que tinha uma forma diferente de franquear”, afirmou.

A proposta era a marca ser sócia do franqueado. A empresa permitia a compra de até 40% do negócio no início da operação. Em quatro anos, ele comprou 100% das três lojas que desenvolveu na capital mineira. Em um determinado momento, o empresário chegou a operar até dez unidades na cidade, o que ele diz ser resultado das estratégias locais.

Em 2005, quando a Domino’s era gerenciada pelo Grupo Trigo no país, o executivo entrou no Conselho de Franqueados da empresa. Recebeu o prêmio Gold Franny da Domino’s em 2016, reconhecido como um dos melhores  franqueados do mundo.

NOVA FASE – Em 2018, o fundo Vinci Partners adquiriu a Domino’s Brasil, e iniciou uma estratégia de expandir as lojas próprias, comprando as franquias já existentes. “E eu fiquei quietinho em Belo Horizonte”, afirmou. “Só que essa expansão estava acontecendo de uma maneira que achava que não ia se sustentar por muito tempo.”

Segundo ele, porque a métrica usada para a avaliação de novas lojas não considerava a golden mile até então pregada pela empresa. Esse princípio priorizava que a companhia conquistasse maioria em uma região antes de expandir para outras áreas. E impedia uma canibalização dentro da rede.

Foi nesse contexto que um representante global da empresa foi conhecer as unidades de Miraglia Neto. Período em que ele disse ter se preparado para vender a operação e evitar conflitos. “Do jeito que estavam comprando lojas aqui no Brasil, em São Paulo e no Rio, Belo Horizonte era a próxima”, disse. Após negociação, o empresário vendeu suas lojas e foi contratado para atuar na companhia devido às quase duas décadas de Domino’s. E ali abriu o caminho para a expansão que o empresário encabeça atualmente. 

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