BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não irá depor à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS na próxima segunda-feira (23). A decisão teria sido tomada pelo banqueiro após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), não autorizar o uso de um jato particular para a ida a Brasília.
A reportagem já havia apurado que a ausência na CPI na segunda-feira (23) estava praticamente definida. Ainda há dúvidas se Vorcaro irá à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) para ser ouvido na terça-feira (24). A preocupação principal seria com sua segurança caso ele tivesse que pegar um voo comercial.
Segundo a pauta da CPI do INSS, disponibilizada no sistema do Congresso Nacional nesta sexta (20), a única depoente na próxima reunião será Ingrid Pikinskeni.
A empresária é apontada como mulher de Cícero Marcelino, que seria assessor de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil). Ela foi alvo de busca e apreensão pela PF (Polícia Federal) em maio de 2025.
A Conafer é uma das entidades associativas que, segundo a Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários da PF, promoviam descontos associativos não autorizados em contas de supostos beneficiários. Isso era feito por meio do acordo de cooperação técnica com o INSS.
Mendonça, que assumiu a relatoria do caso Master após a saída do ministro Dias Toffoli, decidiu nesta quinta (19) que Vorcaro não é obrigado a comparecer à CPI.
O relator da CPI mista, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), disse discordar “veementemente” do que considerou ser um “garantismo exacerbado” do ministro ao dispensar os convocados da obrigação de ir à comissão.
“Estou pronto para a oitiva com as perguntas técnicas inerentes ao caso”, afirmou o parlamentar. “Tem sido o trabalho da relatoria em relação a todos os depoentes.”
Segundo a decisão do ministro do Supremo, Vorcaro poderia se deslocar em voo comercial ou em avião da Polícia Federal.
Mendonça negou, porém, um pedido de sua defesa para que ele fosse a Brasília em um jato particular. À CPI, os advogados dele afirmaram que o transporte do depoente em uma aeronave particular seria necessário por questões de segurança, para preservar sua imagem e evitar tumultos em aeroportos.
A CPI mista do INSS havia adiantado o depoimento de Vorcaro para esta segunda com o objetivo de ter primazia na oitiva do ex-banqueiro diante de outras comissões no Congresso Nacional também interessadas em ouvi-lo.
O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), parabenizou André Mendonça após a decisão, por autorizar o deslocamento de Vorcaro a Brasília.
O banqueiro está sob monitoramento de tornozeleira eletrônica desde o fim de novembro do ano passado. Ele havia sido preso no aeroporto de Guarulhos (SP), quando embarcava para o exterior, no âmbito da operação Compliance Zero da Polícia Federal.
“O ministro demonstrou compromisso institucional diante da gravidade do que está em jogo. Estamos tratando de viúvas, órfãos e aposentados que foram lesados”, escreveu Viana em suas redes.