SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O CEO da Enel, Flavio Cattaneo, afirmou nesta segunda-feira (23) que não está interessada em vender sua concessão de distribuição de energia em São Paulo.
Em entrevista coletiva, o executivo comentou sobre as dificuldades com a concessionária paulista, que enfrenta um processo que pode levar à caducidade da concessão (quando a companhia perde os direitos sobre a concessão), o que levou a especulações sobre uma potencial venda do ativo antes da perda do contrato.
Sobre o processo da Enel São Paulo, Cattaneo disse que a companhia “não tem medo”, pois acredita estar correta do ponto de vista jurídico.
A Enel tem defendido que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) não pode incluir em sua análise sobre eventual caducidade da concessão o apagão de dezembro do ano passado, quando a atuação da empresa foi novamente classificada como insatisfatória pela fiscalização do órgão regulador.
Segundo pareceres contratados pela Enel, isso seria ilegal e inconstitucional.
A Aneel concluiu sua análise e classificou como insatisfatório o desempenho da Enel em meio às falhas observadas em dezembro de 2025 na região metropolitana de São Paulo. A conclusão deve destravar o processo que pode resultar, no limite, na perda do contrato da concessionária.
O documento foi entregue ao diretor Gentil Nogueira, da agência, que aguardava a conclusão para se posicionar sobre o caso. Ele agora vai votar para incluir ou não os eventos daquele mês na análise sobre a eficiência da empresa, em um caso que pode levar à chamada caducidade do contrato.
Em 10 de dezembro, houve um apagão em São Paulo após um temporal na cidade que deixou 4,4 milhões de pessoas sem luz. Em alguns casos, a falta de fornecimento de luz durou mais de duas semanas.