Azul terá acordo de compartilhamento de voos com American Airlines e descarta fusão com Gol

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O CEO da Azul, John Rodgerson, disse nesta segunda-feira (23) que a companhia aérea terá um acordo de codeshare (compartilhamento de voos) com a American Airlines, que se comprometeu a fazer um investimento de US$ 100 milhões (R$ 517 milhões) na empresa brasileira.

O aporte faz parte do processo de saída da Azul do Chapter 11 nos Estados Unidos, equivalente à recuperação judicial do Brasil. O acordo de codeshare precisará de aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), segundo Rodgerson.

A Azul informou na sexta-feira (20) que concluiu a recuperação judicial nos EUA, iniciada em maio de 2025 para tentar reorganizar dívidas.

O codeshare se refere a um trato entre empresas para ampliar a malha de voos e conexões, oferecendo trechos alcançados apenas pela parceira.

A companhia aérea brasileira também receberá US$ 100 milhões (R$ 517 milhões) da United Airlines e US$ 850 milhões (R$ 4,4 bilhões) em novos investimentos em ações, provenientes de uma oferta pública de ações já concluída. Atualmente, a Azul já possui um acordo de codeshare com a United.

Com os investimentos das empresas americanas, a United e a American Airlines passarão a deter cada uma 8% das ações da Azul.

Durante entrevista a jornalistas, Rodgerson disse também que a Azul descarta retomar as negociações de fusão com a Gol.

“Quando você acumula um monte de dívida, a fusão pode ser benéfica como uma saída diferente. Ao entrar [no Chapter 11], não há necessidade, a gente não precisa. No nosso balanço, saímos muito menos alavancada do que nossos concorrentes saíram [da recuperação judicial]. Então eu não vejo isso [fusão] como alguma coisa que está na mente”, disse a jornalistas.

Com o fim do processo de recuperação judicial, a empresa aérea passa a funcionar em um modelo de “corporation” (companhias de capital aberto que possuem ações pulverizadas), diz Rodgerson. Por isso, David Neeleman, fundador da Azul, deixa de ser o acionista controlador da empresa.

“David vai ser parte do nosso Conselho, mas outros acionistas vão compor o resto do nosso equity na empresa e nós vamos ser mais como uma corporation. Vai ter melhor governança, David também vai continuar fazendo parte, mas a participação dele vai ser mínima. Isso foi parte do acordo para não proteger ninguém. David não foi protegido, nenhum acionista foi protegido”, diz Rodgerson.

Ainda segundo Rodgerson, a Azul está olhando para linhas de financiamento do governo, como o Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil). “O que eu diria é que tem Fnac, tem linhas do governo que, sim, nós vamos olhar e, se o custo de capital for melhor do que outras oportunidades, sim, nós vamos fazer [contratar o financiamento].”

Na semana passada, a companhia aprovou uma emissão bilionária de novos papéis para financiar a reestruturação da companhia, com a saída da recuperação judicial. A operação, aprovada pelo conselho de administração, resultou na captação de R$ 4,99 bilhões em recursos novos para a Azul.

Os recursos serão utilizados para quitar o principal do financiamento DIP (debtor-in-possession), modalidade de crédito concedida a empresas no processo de recuperação judicial.

Com o aumento de capital, o capital social da Azul passou a R$ 21,76 bilhões, dividido em 54,73 trilhões de ações.

No dia seguinte ao anúncio da aprovação da oferta pública de ações, os papéis da empresa na Bolsa despencaram mais de 36%.

“Eu acho que agora vai ser mais estável, porque tudo terminou sexta-feira passada. Então, a gente vai ter habilidade para comunicar melhor com o mercado, tudo que vai acontecer aqui para frente, mas pelo menos nós terminamos o processo”, disse Rodgerson.

O executivo disse ter satisfação com o processo de recuperação jucicial atravessado pela Azul. Segundo Rodgerson, a empresa sai do Chapter 11 com uma alavancagem (quando a empresa faz dívida para financiar seus investimentos) abaixo do esperado.

Antes de fazer o pedido de recuperação, a Azul tinha uma dívida bruta de cerca de R$ 35 bilhões e alavancagem de 5,2 vezes. Agora, a alavancagem caiu para menos de 2,5 vezes, de acordo com a empresa.

“Já entramos [na recuperação judicial] com a maior parte da nossa frota definida e também com o apoio grande dos dois novos parceiros, United e American Airlines, que é uma coisa que nunca tinha acontecido antes. Nós terminamos nosso processo em menos de nove meses. E todas as metas que nós tivemos ao entrar, nós alcançamos e fizemos melhor”, afirma.

Nos últimos 12 meses fechado em janeiro de 2026, a Azul tinha a terceira maior participação no mercado da aviação brasileira, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A fatia da companhia era de 28,9% -superada por Latam (39,9%) e Gol (31,1%).

A saída da recuperação judicial já era esperada pelo governo, que demonstra entusiasmo com o momento do setor aéreo brasileiro. Em evento no dia 10 de fevereiro, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), já havia indicado que esperava o fim do processo dentro de 30 dias.

Depois de Latam e Gol, a empresa havia sido a última das principais companhias aéreas brasileiras a aderir ao processo.

RAIO-X | AZUL

Prejuízo líquido ajustado no 3º trimestre: R$ 1,56 bilhão

Número de destinos: 137

Tripulantes: 14 mil

Principais concorrentes: Gol e Latam

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