Escândalo do Master envolveu 'alinhamento perverso', diz presidente interino da CVM

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente interino da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), João Accioly, disse nesta terça-feira (24) que o escândalo do Banco Master envolveu um “alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores” para que fosse mantido o que ele chamou de ficção contábil.

“Foi um me engana que eu gosto”, afirmou. “Por que ele gosta de ser enganado? Porque ele bota no balanço dele que ele tem um balanço muito mais robusto e isso permite que ele continue emitindo CDB e para o Banco Central parece que ele tinha uma solidez que ele não tinha.”

Accioly falou na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado no âmbito de um grupo de trabalho criado para acompanhar as investigações do caso Master. Inicialmente, a expectativa era ouvir também o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, mas ele cancelou a ida à comissão depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, negou o uso de jato privado para o deslocamento à Brasília.

Diretor desde 2022 na autarquia que monitora o mercado de capitais, Accioly defendeu a atuação da CVM aos senadores e disse que a supervisão é baseada em risco, levando a autarquia a dar prioridade a cotistas individuais. “Já os cotistas de fundos exclusivos recebem menos atenção porque se supõe que o grande investidor tem condições de estar verificando isso”, afirmou.

Segundo ele, não houve omissão da CVM no caso Master, pois as irregularidades envolviam fundos exclusivos.

Nesses casos, segundo o presidente interino da CVM, a autarquia atua por denúncias de investidores. “Não é uma omissão regulatória”, disse, acrescentando que a regra pode ser aprimorada, incluindo o uso de tecnologia como algoritmos que identifiquem padrões suspeitos.

Para Accioly, as supostas fraudes do banco também tinham “peculiaridade estrutural”. “Porque o prejudicado, considerando o Banco Master como cotista, não foi uma vítima de fraude, na qual os gestores o enganaram”, afirmou. “Ele foi, em larga medida, promotor ativo do superdimensionamento [dos ativos].”

Antes de responder a perguntas dos senadores, Accioly disse também que sempre que existe um caso de fraude, a responsabilidade é de quem cometeu. “A cada nova fraude, é necessário melhorar os métodos. Não podemos confundir o crime com o combate.”

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