Porto Alegre, 25 de fevereiro de 2026 – A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP)apresentou para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) um estudo inédito sobre ocenário atual dos terminais autorizados no Brasil, revelando o papel estratégico dessesempreendimentos para a logística nacional e para o desenvolvimento econômico regional.
Segundo o levantamento, os terminais autorizados já respondem por 64,6% de toda a movimentaçãoportuária do país. Os Terminais de Uso Privado (TUP) avançaram 7% em 2025, movimentando 906,1milhões de toneladas. No transporte interior, 78,8% da movimentação em rios é realizada porterminais autorizados.
A evolução ao longo dos últimos 15 anos reforça a consolidação do modelo. Entre 2010 e 2025, amovimentação desses terminais em águas interiores cresceu 210%. Atualmente, cerca de dois terçosdos terminais privados são autorizados para realizar movimentação por via marítima, enquantoaproximadamente um terço opera por águas interiores. Em volume, os terminais autorizados em viasinteriores movimentaram 72 milhões de toneladas, frente a 19,3 milhões movimentadas pelos portosorganizados no período analisado.
O estudo também evidencia o impacto positivo dos terminais no desenvolvimento regional. Em Aracruz(ES), por exemplo, o PIB per capita saltou de aproximadamente R$ 1 mil para mais de R$ 15 mil apósa implantação da Portocel. Em Santa Catarina, Navegantes subiu da 23 para a 15 posição noranking estadual de PIB após a instalação da Portonave. Já o Porto Itapoá gerou impactosuperior a R$ 16 bilhões no PIB da região.
Atualmente, o Brasil conta com 287 terminais autorizados, dos quais 221 estão em operação. Apesardos resultados expressivos, o estudo alerta para gargalos que ainda afetam o setor, especialmenteatrasos em processos de licenciamento ambiental. Entre as principais causas estão:judicializações, morosidade administrativa inclusive junto à Secretaria do Patrimônio da União(SPU) , invasões de áreas e os efeitos da pandemia de Covid-19.
Para o presidente da ATP, Murillo Barbosa, os números demonstram a maturidade do modelo e suacontribuição direta para o crescimento do país. Os terminais autorizados são hoje pilares dalogística brasileira. Além de ampliarem a capacidade operacional, eles geram desenvolvimentolocal, atraem investimentos e aumentam a competitividade do Brasil. Superar gargalos regulatórios ede licenciamento é essencial para que o setor continue crescendo e entregando benefícioseconômicos e sociais, afirma.
Para a ATP, os dados reforçam que a ampliação e a modernização dos terminais autorizados sãofundamentais para a competitividade logística do país, além de funcionarem como vetores degeração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
Crescimento em diferentes cargas em 2025
Segundo dados da ATP, o aumento de 7% na movimentação de cargas dos TUP em 2025 foi puxado porgranel sólido (538,1 milhões de toneladas, com crescimento de 7,19% sobre o ano anterior), granellíquido e gasoso (271,7 milhões de toneladas, alta de 7,87%) e carga conteinerizada (56,9 milhõesde toneladas; avanço de 6,09%).
No ano passado, as cargas que registram os cinco maiores avanços foram cimento (50,80%), coque depetróleo (42,38%), adubos (fertilizantes), com alta de 25,86%, soja (18,33%) e óleo de soja(17,95%).
No ranking dos terminais autorizados, estão no TOP 3 de maior crescimento em 2025: o TUP VetorialLogística (MS), com crescimento de 380,2%; a ATEM (Belém-Pará), com um avanço de 332,1% sobre2024; e o Terminal da Granel Química Ladário (MS), que apresentou um aumento de 274%.
Sobre a ATP
A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) representa os interesses e atua em defesa dosegmento privado e na modernização dos portos brasileiros, relevantes para a infraestruturaeconômica e o desenvolvimento do país. Atualmente, a associação reúne 39 empresas de grandeporte e congrega 75 terminais privados do país. Juntas, as empresas movimentam cerca de 60% dacarga portuária brasileira e respondem pela geração de 47 mil empregos diretos e indiretos.
A ATP reúne associadas que atuam em áreas como mineração, siderurgia, petróleo e gás,agronegócio, contêineres e complexos logísticos, relevantes para o comércio exterior e aeconomia brasileira.
Fabio Rubenich – fabio@safras.com.br (Safras News)
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