Eleições ainda não influenciam mercado brasileiro, diz André Esteves, do BTG

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As eleições presidenciais ainda não têm influenciado o mercado brasileiro, afirmou nesta quarta-feira (25) André Esteves, presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual.

Durante o evento BTG Summit, o banqueiro disse que a tendência é que o pleito se encaminhe para uma divisão igualitária dos eleitores entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“É um tema que interessa a todos nós, mas as eleições, curiosamente, não estão fazendo preço nos mercados aqui no Brasil. A gente lê, a gente comenta, a gente critica, a gente tem ansiedade, a gente torce, cada um com as suas preferências, mas não é isso que está fazendo preço no mercado, ou está fazendo muito pouco preço no mercado”, disse.

Esteves avalia que o grande protagonista da direita hoje é Flávio Bolsonaro. “Ele tem chance real de ser presidente, como o presidente Lula tem chance real de ser reeleito. Acho que esse vai ser o quadro até os 45 minutos do segundo tempo”, disse.

Na avaliação do sócio do BTG, os brasileiros estão mais à direita do espectro político, o que segundo ele foi demonstrado em pesquisa de Felipe Nunes, CEO da Quaest, sobre a sociedade brasileira. “Mas a eleição está mais a 50% a 50% por causa da presença do Lula, que empata esse jogo”, disse.

Para o presidente do conselho do BTG, a grande responsável pela alta recente da Bolsa brasileira é a rotação de carteiras no mercado global, com portfólios mundiais reduzindo suas exposições a ativos dos Estados Unidos.

Ele afirmou que isso acontece porque a exposição a ativos americanos nos portfólios globais chegou a um pico no final do ano passado, além do uso do dólar como arma geopolítica pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que teve como consequência a perda de valor da moeda.

“Até onde a vista alcança vemos portfólios se realocando, e isso está ajudando muito os mercados emergentes”, afirmou. “A Bolsa brasileira, apesar de ter andado muito, continua muito barata em relação a seus pares internacionais.”

Esteves afirmou ainda que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, com quem se reuniu na semana retrasada, defendeu a possibilidade de um acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos.

“Isso seria sensacional para o Brasil”, defendeu. “Seria transformar esse limão da guerra tarifária não em uma limonada, mas em uma torta de limão maravilhosa, em um acordo comercial.”

O sócio do BTG vê uma visão estratégica positiva dos Estados Unidos sobre o Brasil. “É importante essa descoberta dos Estados Unidos de que a América Latina é vizinha deles”, disse. “Cabe a nós aproveitar esse bom momento e expandir essas relações.”

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