SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (27) que é preciso fazer uma reforma dos encargos patronais das folhas de pagamento. Em entrevista ao Flow News, ele disse que esse tema deverá ser discutido, mas que isso só vai acontecer após as eleições.
O ministro afirmou que há estudos sobre o tema na própria Fazenda, mas que ele não conversou a respeito disso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A reforma dos encargos sobre a folha, que são encargos sobre o trabalho, deve ser a próxima. Ela vai implicar resolver outro problema, a pejotização, que está em um ritmo que faz com que a Previdência comece a se tornar insustentável”, disse.
Além dos salários, empregadores também incorrem em despesas como a contribuição patronal ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e pagamentos a entidades como Sesc (Serviço Social do Comércio) e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), dependendo do setor.
TARIFAS DE IMPORTAÇÃO
Haddad também falou sobre o recuo parcial nas altas das tarifas de importação de bens de capital (como máquinas) e itens de informática e telecomunicações. No dia 28 de janeiro, houve uma decisão do governo para aumentar em até 20% as alíquotas de importação de mais de 1.200 produtos.
Nesta sexta-feira, a Camex (Câmara do Comércio Exterior) voltou atrás em relação a 15 itens de eletrônicos, incluindo smartphones, e 105 bens de capital.
O ministro da Fazenda justificou a necessidade do aumento de alíquotas afirmando que itens importados tiveram quedas de preços mais expressivas que a do câmbio. Ele deu a entender que produtores de itens que enfrentam novas barreiras tarifárias em outros países começaram a vender mais ao Brasil.
Ele também falou diversas vezes sobre a “taxa das blusinhas” e sobre o apelido “Taxadd”, e afirmou que os governadores também aumentaram ICMS sobre compras de comércio online.
Para ele, a crise dos Correios é explicada, em parte, por uma fraude que sites de varejo da China faziam: enviavam produtos a clientes do Brasil como se fosse uma remessa de um presente, para pagar menos imposto. Esse tipo de envio é exclusivo dos Correios, e o fim disso teria gerado perda de receitas.
CANDIDATURA
Perguntado pelo apresentador Igor Coelho sobre candidatura ao governo de São Paulo, Haddad disse que pensou que iria conversar com Lula sobre esse tema em um jantar na quinta-feira (26), mas que, durante a tarde, o presidente falou para que seu convidado levasse a mulher, Ana Estela Haddad, e o ministro entendeu que essa questão sobre eleições não seria discutida.
Segundo ele, quando houver uma discussão, ele deverá anunciar. O ministro já afirmou que vai deixar o cargo no futuro próximo.
QUEM É ‘DO JOB’
Ao falar sobre o caso do Banco Master, Haddad descreveu uma conversa que presenciou durante um almoço entre Lula e o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O presidente teria dito ao ministro que ele não poderia “perder a oportunidade de reescrever sua biografia fazendo o certo em relação ao banco”, afirmou Haddad. Segundo o ministro, isso aconteceu antes que se soubesse que Toffoli foi dono do resort Tayayá.
O ministro da Fazenda afirmou que já sabia de problemas do banco de Daniel Vorcaro antes da liquidação pelo Banco Central, mas que não poderia falar porque poderiam alegar que ele teria precipitado a crise.
Quando ainda falava sobre corrupção no caso do Master, ele disse que o Judiciário precisa saber se sanear.
Haddad afirmou que não é possível jurar por Deus quem é correto e quem não é, mas que as pessoas geralmente sabem “quem é ‘do job’ e quem não é”. Ser “do job” é uma expressão que geralmente está associada a prostituição. Logo depois, ele disse que dá para distinguir quem tem tendência a aceitar propostas corruptas e quem nem mesmo as discute.