Opep+ aumenta produção de petróleo de forma modesta, mesmo com ataques ao Irã

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados) anunciou neste domingo (1°) que aumentará a produção de petróleo em 206 mil barris por dia (bpd) em abril, ligeiramente acima das expectativas, enquanto o grupo busca acalmar os mercados em meio ao conflito no Irã.

Os confrontos prejudicam o fluxo do produto, com redução no transporte, por exemplo, no estreito de Hormuz, localizado entre Irã e Omã, por onde passa cerca de 20% da oferta global.

A organização tem um histórico de aumentar a produção para amortecer interrupções, mas analistas afirmaram que o grupo atualmente tem pouca capacidade disponível para aumentar o fornecimento, exceto sua líder, a Arábia Saudita, e os Emirados Árabes Unidos, que também terão dificuldades para exportar petróleo até que a navegação volte ao normal.

O aumento é menor do que alguns analistas e observadores da Opep+ haviam especulado. A Opep+ concordou, em princípio, em aumentar a produção após debater opções que variavam de 137.000 bpd a 548.000 bpd, disseram as cinco pessoas à Reuters neste domingo. O aumento acordado representa menos de 0,2% da oferta global.

“A capacidade ociosa deve ser gerenciada com cautela”, afirmou Amena Bakr, analista da empresa de dados Kpler.

Analistas afirmam que o aumento da Opep+ dificilmente acalmará os mercados, que estão preocupados após os ataques entre EUA, Israel e Irã, que resultaram na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, nesse sábado (28).

O mercado de petróleo está fechado desde a noite de sexta-feira (27) e retomará às 20h (horário de Brasília) deste domingo. Analistas especulam que pode haver um salto acentuado nos preços dada a contínua incerteza no Oriente Médio.

Na sexta-feira, o preço do barril Brent, referência mundial, fechou a US$ 72,48 (R$ 372,04), enquanto o WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava a US$ 67,02 (R$ 344,01).

Os negociadores estão tentando avaliar quanto petróleo e gás conseguirão passar pelo estreito de Hormuz.

“Barris de reserva servem de pouco se não houver rotas marítimas operacionais”, comentou Helima Croft, analista do RBC Capital, em nota aos clientes.

“Essa medida dificilmente acalmará os mercados. Os preços responderão aos desdobramentos no golfo e à situação dos fluxos de navegação, não a um aumento relativamente pequeno na produção”, disse Jorge Leon, analista da Rystad.

“Você pode anunciar uma produção maior, mas se os navios-tanque enfrentarem restrições em Hormuz, o mercado físico permanece apertado”, apontou.

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