[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O resultado para fevereiro do Índice Nacional de Confiança (INC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostra que o consumidor mantém o pé atrás em relação à economia em 2026. A taxa se manteve em 100 pontos de janeiro para fevereiro, exatamente o nível de neutralidade da pesquisa, que varia de 0 a 200 pontos. Fica pouco acima de fevereiro de 2025 (99) e abaixo dos dois anos anteriores: 106 pontos em 2023 e 102 em 2024. Se por um lado o mercado de trabalho sustenta parcialmente o ânimo das famílias, por outro a combinação de juros e dívidas causa retração, resultando nesse ponto de “neutralidade”. A pesquisa é elaborada pela empresa PioniOn para a ACSP a partir de uma amostra de 1,7 mil famílias de todo o país.
De acordo com o levantamento, houve piora na percepção das famílias sobre a situação financeira atual. As expectativas em relação a renda e emprego tiveram “melhora moderada”, mas com redução do item sobre segurança no emprego. Segundo a ACSP, isso resulta em “menor disposição” para a compra de itens de maior valor (automóvel e imóvel) e de bens duráveis (como geladeira e fogão). “E também reduziu a propensão a investir.”
Segundo o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV-ACSP), o mercado de trabalho segue garantindo crescimento da renda e do emprego. Dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira (5) mostra que a taxa de desemprego se mantém no menor nível da série histórica e aponta recorde no rendimento médio, o que ajuda a sustentar o consumo. Esse efeito positivo, no entanto, parece estar sendo “compensado” pelo “elevado alto grau de endividamento das famílias e da desaceleração econômica provocada pelos juros elevados”. O Comitê de Política Monetária (Copom) vai se reunir nos próximos dias 17 e 18, e existe a expectativa de que se inicie um período de corte da taxa básica de juros, que está em 15% ao ano desde junho de 2026.
No recorte regional, a confiança aumentou apenas no Sudeste. Nas demais, a pesquisa indicou estabilidade. Entre as classes socioecônomicas, houve crescimento na C e queda nas A/B e D/E. Por gênero, mais confiança entre os homens e menor entre as mulheres.