O Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para celebrar conquistas importantes das mulheres brasileiras e, ao mesmo tempo, refletir sobre os desafios que ainda precisam ser superados. No empreendedorismo, o protagonismo feminino cresce de forma consistente e se consolida como um importante motor da economia.
Hoje, mais de 10 milhões de mulheres estão à frente de negócios no Brasil, segundo estudo do Sebrae. O número revela a força, a criatividade e a capacidade de transformação das empreendedoras, que impulsionam a geração de renda e contribuem para o desenvolvimento econômico em todo o país.
Apesar do avanço, ainda existem barreiras relevantes. As mulheres representam cerca de 34% dos empreendedores brasileiros, diz o mesmo estudo do Sebrae, e muitas enfrentam dificuldades maiores no acesso ao crédito. A pesquisa Elas Empreendem, realizada pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, de 2023/2024, diz que apenas cerca de 25% dos recursos destinados a pequenos negócios chegam às mulheres, o que limita investimentos e reduz as oportunidades de expansão de empresas lideradas por elas.
Outro desafio é a sobrecarga de responsabilidades. Muitas empreendedoras conciliam a gestão do negócio com tarefas domésticas e familiares, o que reduz o tempo disponível para capacitação, planejamento e ampliação de redes de relacionamento profissional.
Também é fundamental considerar as desigualdades raciais. Negócios liderados por mulheres negras, em média, enfrentam maiores dificuldades de acesso a crédito, menor formalização e renda mais baixa, o que reforça a necessidade de políticas específicas de inclusão produtiva.
Neste contexto, fortalecer o empreendedorismo feminino exige ampliar o acesso ao crédito em condições mais adequadas, expandir programas de capacitação e mentoria e incentivar a participação de empresas lideradas por mulheres nas cadeias produtivas e nas compras públicas.
Ana Claudia Badra Cotait
Neste Dia Internacional da Mulher, celebrar o avanço das mulheres no empreendedorismo é essencial. Mas é igualmente necessário garantir condições para que esse crescimento se traduza em negócios mais fortes, sustentáveis e capazes de gerar ainda mais desenvolvimento para o Brasil.
ANA CLAUDIA BADRA COTAIT
Presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC). A entidade é parte da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). E atua como um fórum de referência de estudos, debates e inspirações à mulher empreendedora, além de desenvolver ações, campanhas e projetos sociais e culturais. O CMEC tem mais de 900 conselhos da mulher distribuídos pelo Brasil.