Magalu reduz taxa de comissão a sellers do marketplace. Analista da FGV vê “equilíbrio de caixa” na medida

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Marketplace registra vendas de R$ 17,5 bilhões em 2025, 27% do faturamento do Magalu
(Andre Lessa / Agência Dc News)
  • Lojas que vendem dentro do ecossistema da varejista pagavam 18% sobre as vendas. Agora, comissionamento caiu para 9,9%
  • “Objetivo é permitir que o vendedor ganhe tração rapidamente”, afirma porta-voz da companhia
Por Bruno Cirillo

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Após nove anos de operação, o marketplace da varejista Magalu sofreu uma revisão na política de parceria com os sellers. Os novos parceiros terão as taxas de comissão reduzidas praticamente pela metade, de 18% para 9,9%. O objetivo, segundo o gerente de cross border da companhia, Diego Ferreira, é incentivar a adesão de novos parceiros comerciais e estimular as vendas com preços menores – frete grátis e cupons de desconto foram mantidos. O marketplace do Magalu tornou-se um dos maiores do Brasil, com vendas de R$ 17,5 bilhões em 2025, o que representa 27% da receita do Magalu no ano, de R$ 64,7 bilhões. Já as lojas físicas representam 31% da receita da varejista. “Quanto mais parceiros temos, mais nossos clientes se beneficiam”, afirma o executivo.

Para o professor de pós-graduação em Gestão Comercial da Fundação Getulio Vargas (FGV) consultado pela AGÊNCIA DC NEWS, Roberto Kanter, no entanto, a medida visa sobretudo a ampliar as margens de lucro, com a redução de custos. “É para equilibrar o caixa”, disse. “Dificilmente haverá aumento de vendas.” 

O marketplace do Magalu entrou em certa estagnação nos últimos anos. Representou 27% das vendas totais da varejista em 2025; 28,6% em 2024 (R$ 18,7 bilhões); 28,5% em 2023 (R$ 18 bilhões); 25,6% em 2022 (R$ 15,4 bilhões); 23,4% em 2021 (R$ 13,1 bilhões). Nos anos anteriores, as vendas dos parceiros na plataforma do Magalu eram inferiores a 20%. Em 2020, representavam 16,9%; em 2019, 11% (R$ 3 bilhões). E em 2018 apenas 4,3%, com R$ 855 milhões comercializados por sellers diante de um faturamento total da companhia na casa de R$ 19,7 bilhões.

No ano passado, o lucro líquido ajustado do Magalu, citado por Roberto Kanter, da FGV, foi de R$ 159 milhões. O valor é 0,24% do faturamento bruto. Em 2024, o lucro líquido foi de R$ 277 milhões, 0,42% da receita. A redução da comissão cobrada junto aos sellers visa atrair mais parceiros que usufruem de outros serviços do Magalu. No ano passado, o volume total de transações processadas (TPV) na subadquirência, conta digital e empréstimos para sellers atingiu R$ 41,1 bilhões. A conta digital MagaluPay tem se consolidado como um hub financeiro para o ecossistema, com o MagaluPay Empresas registrando 182 mil contas de sellers. Magalu Ads e serviços logísticos são outros serviços oferecidos que geram valor agregado à varejista.

Na avaliação de Kanter, é importante diferenciar os sellers que que apenas divulgam o marketplace e promovem vendas daqueles que realmente têm um galpão ou comércio e se utilizam da marca Magalu. “Estão reduzindo a comissão de vendedores autônomos que trabalham para a Magalu na internet”, disse o especialista. “Na verdade, é uma transferência. A redução das margens vai recair sobre o seller.” Diego Ferreira, gerente de cross border no Magalu, explica a estratégia por trás do comissionamento do marketplace na entrevista a seguir:

AGÊNCIA DC NEWS – Por que o Magalu decidiu reduzir a comissão cobrada dos sellers no marketplace?
DIEGO FERREIRA
– O objetivo é permitir que o vendedor ganhe tração rapidamente. Com uma menor comissão ele traz todo seu catálogo e já oferece melhores preços. Apostamos em um modelo de parceria: oferecemos condições diferenciadas de entrada para que ele ganhe escala e, então, passe a usufruir de ferramentas de alto valor agregado, como o Magalu Ads e nossa malha logística, que sustentam o crescimento saudável de todas as partes a longo prazo.

AGÊNCIA DC NEWS – A redução no comissionamento é válida somente para novos vendedores?
DIEGO FERREIRA – Essa mesma estratégia também está disponível para vendedores que já estão com a gente e querem alavancar suas vendas, desde programas de aceleração que oferecem taxas menores com investimentos em Ads até programa de assessoria. É o famoso ganha-ganha-ganha. Uma mecânica na qual o vendedor se beneficia com a possibilidade de melhorar o seu faturamento com preços mais competitivos ou até mesmo sua margem de lucro, ganha o cliente que tem mais opções de produtos, preços e melhor experiência de compra e ganha o Magalu, que atrai mais parceiros e, consequentemente, aumenta o sortimento de itens oferecidos na plataforma e a recorrência.

AGÊNCIA DC NEWS – Qual o tamanho da operação do marketplace atualmente?
DIEGO FERREIRA
– A operação de marketplace do Magalu começou em 2016, quando a plataforma foi lançada com 50 parceiros vendendo seus produtos no site da companhia. O contexto estava alinhado ao propósito da empresa de realizar uma transformação digital no Brasil e ajudar a digitalizar pequenos e médios negócios. Esse projeto se potencializou durante a pandemia da Covid-19, quando o Magalu lançou o programa Parceiro Magalu para permitir que pequenos varejistas, até então totalmente analógicos e com portas fechadas, pudessem sobreviver vendendo pela internet. Hoje, o Magalu é o principal marketplace varejista brasileiro, com mais de 350 mil sellers em atuação na plataforma e uma receita acumulada de R$ 17,5 bilhões em 2025. Em 2024, foram quase R$ 19 bilhões em faturamento e mais de 50 milhões de clientes.

AGÊNCIA DC NEWS – Quais são os principais investimentos na plataforma?
DIEGO FERREIRA
– Ao longo dos anos, fizemos diversas aquisições de empresas de tecnologia, logística e meio de pagamentos para consolidar a ferramenta. Além disso, transformamos mais de 1.200 lojas físicas em agências logísticas (minicentros de distribuição), criamos o Magalog e iniciamos a nossa operação fulfillment, lançamos serviços via MagaluPay para oferecer contas digitais a pessoa jurídica gratuitas aos lojistas, antecipação de recebíveis e outras modalidades de ofertas de crédito.

AGÊNCIA DC NEWS – Quais serão os próximos passos de evolução da plataforma?
DIEGO FERREIRA
– Vamos continuar com a nossa estratégia de investimentos em tecnologia, inovação e Inteligência Artificial, como o WhatsApp da Lu, a primeira experiência completa de AI Commerce do mundo, em que o cliente pode comprar tanto produtos que são vendidos pelo Magalu e quanto dos nossos parceiros, para proporcionar as melhores condições aos nossos sellers a continuarem tendo sucesso nas vendas. Para os nossos clientes finais, buscamos reduzir o tempo de entrega, aprimorando a experiência do consumidor.

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