SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O grupo farmacêutico EMS fechou um acordo com a francesa Sanofi para a compra da Medley, uma das principais fabricantes de genéricos do Brasil, em anúncio feito nesta sexta-feira (6).
O valor do negócio não foi revelado, mas Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS no Brasil, disse a jornalistas na manhã desta sexta que ultrapassou os US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões).
Após três meses de negociações, a aquisição busca consolidar a liderança da EMS no segmento de genéricos brasileiro, de olho em na marca Medley, popular entre consumidores em um mercado no qual são eles -e não os planos de saúde, como nos EUA- que dão as cartas no momento da compra.
“Desde o primeiro momento que veio a mercado é um ativo que nos interessou bastante”, diz Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS. “É estratégico para nós porque a gente vê muito muito muito valor de marca.”
A Medley tem faturamento de cerca de R$ 1,5 bilhão; o Grupo EMS, de R$ 10 bilhões. Com o negócio, a balança na receita da EMS entre genéricos e os chamados medicamentos de prescrição médica pode pender para os genéricos.
Não foi o primeiro negócio da EMS com a Sanofi, de quem a primeira já havia levado a marca de higiene íntima Dermacyd. A disputa pela Medley, no entanto, foi acirrada e recebeu propostas, segundo o Sindusfarma, sindicato do setor, da indiana Sun Pharma, Hypera, Biolab e Aché.
A operação precisa ser aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e a expectativa é que isso ocorra em 12 meses. Segundo Sanchez, o Grupo EMS tem hoje 9,5% de participação no mercado de medicamentos e de 23,5% em genéricos. Com a aquisição da Medley, essa fatia chegaria a algo entre 30% e 31% em genéricos e a 11% do total.
“Estamos falando de um mercado extremamente pulverizado, não tem risco de concentração. Respeitamos o rito do Cade e estamos bem embasados”, diz Sanchez.
Aprovado o negócio, a meta é aumentar investimentos e o portfólio da Medley, mantendo a sua fábrica em Campinas (SP) e seus cerca de 1.000 colaboradores. O comercial e o marketing seguiriam separados. “Não temos interesse em desativar nada, é dali para mais. Demos garantias de que o que estamos falando é verdade”, afirma Sanchez, para quem o fôlego da Medley vinha sendo segurado por decisão de negócio da Sanofi.
Com cerca de 12 mil colaboradores diretos, o Grupo EMS tem em seu portfólio uma lista de medicamentos para infecções, anti-inflamatórios, para tratamentos cardiovasculares, dermatológicos, gastrointestinais, dentre outros. A Sanofi é conhecida pela fabricação de vacinas, com as de influenza e pediátricas (hexavalente, meningocócicas).
Fernando Sampaio, presidente da Sanofi Brasil, disse em comunicado que o acordo reflete a estratégia de voltar investimentos e expertise para medicamentos biofarmacêuticos inovadores e vacinas.
“O mercado de genéricos sempre foi muito forte localmente, então é importante que uma fusão como essa fique no Brasil, até para que se proteja os empregos”, diz Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma. “[A transação] consolida a liderança da EMS num mercado em que ela já é a líder, mas que não existe barreiras de entrada e não deve causar muito impacto de preço no setor.”
Segundo o Sindusfarma, os genéricos representam 15,17% das vendas de medicamentos no varejo brasileiro. Em unidades, esse número passa a ser de 40%. Foram vendidas 2,3 bilhões de unidades de genéricos em 2025, crescimento de 8,3% frente ao ano anterior. Em valores, os genéricos movimentaram cerca de R$ 23 bilhões no país no último ano, avanço de 13,4% na mesma base de comparação.
RAIO-X | EMS
Fundação: 1964
Sede: Hortolândia (SP)
Funcionários: 12 mil
Produtos: antibióticos, anti-inflamatórios, antidiabéticos, gastrointestinais, oncológicos e outros
Faturamento em 2025: R$ 10,9 bilhões
Principais concorrentes: Eurofarma, Neoquímica, Cimed, Hypera Pharma, Aché
RAIO-X | Medley
Fundação: 1997
Sede: Campinas (SP)
Funcionários: cerca de 900
Produtos: analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios, vitaminas e outros
Faturamento em 2025: R$ 1,5 bilhão