EUA e Irã ameaçam tornar estreito de Hormuz foco da guerra no Oriente Médio

Uma image de notas de 20 reais

WASHINGTON, EUA E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os Estados Unidos e o Irã trocaram novas ameaças nesta terça-feira (10) e arriscam levar o embate militar ao estreito de Hormuz, fundamental para o mercado de energia global e atualmente bloqueado devido à guerra.

O chefe de segurança do país persa, Ali Larijani, disse em um post no X que a rota será “de paz e prosperidade” ou “de derrota e sofrimento” para os Estados Unidos e Israel. O estreito fica ao lado da costa iraniana e é por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Mais cedo, o major-general Ali Mohammad Naeini disse que as forças iranianas estão preparadas para um eventual confronto naval com os americanos. “As Forças Armadas da República do Irã estão aguardando a frota naval dos Estados Unidos”, afirmou à imprensa estatal do país persa.

Na segunda, a Guarda Revolucionária do Irã já havia advertido que nenhum litro de petróleo do Golfo será exportado enquanto prosseguir o conflito. O comunicado foi divulgado horas após Donald Trump falar que a guerra no Irã vai “acabar bem rápido”.

“Já vencemos de muitas formas, mas ainda não vencemos o bastante. Seguimos em frente, mais determinados do que nunca a alcançar a vitória definitiva que encerrará esse perigo de longa data de uma vez por todas”, afirmou o presidente americano, em evento com republicanos na Flórida.

Trump também disse que, se necessário, os EUA farão escolta de navios no estreito de Hormuz e atingirão o Irã “muito, muito mais forte”, se o bloqueio da passagem de combustíveis continuar. O general Dan Caine reforçou a ideia nesta terça, afirmando que avaliaria as opções se for encarregado de escoltar navios no estreito de Hormuz.

O secretário de energia do país, Chris Wright, chegou a publicar em seu perfil no X que a Marinha dos EUA havia escoltado um navio-tanque no estreito, mas apagou a publicação em seguida. Em entrevista coletiva na tarde desta terça, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que houve escolta, embora tenha mantido a possibilidade de isso ocorrer aberta.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também disse que esta terça vai ser marcada por ataques mais intensos contra a República Islâmica. Leavitt afirmou que as Forças Armadas americanas agora se movimentam para desmantelar as capacidades de produção de mísseis do Irã, sem fornecer mais detalhes.

Teerã diz que lutará “pelo tempo que for necessário” contra Tel Aviv e Washington e que as ameaças são vazias. Em outro post no X, Larijani mandou um recado direto a Trump: “Mesmo aqueles maiores do que você não conseguiram eliminar a nação iraniana. Cuide de si mesmo para não ser eliminado”.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, também afirmou que não terminou a ofensiva militar contra a República Islâmica. Sem entrar em detalhes, o premiê ainda disse que os ataques estão enfraquecendo a liderança clerical do país persa. No domingo (8), o regime escolheu seu novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no começo das ações americanas e israelenses.

“Nossa aspiração é que o povo iraniano se liberte do jugo da tirania; em última instância, depende deles”, declarou o premiê durante uma visita ao Centro Nacional de Comando de Saúde na noite de segunda-feira (9). “Mas não há dúvida de que, com as medidas tomadas até agora, estamos quebrando seus ossos e ainda não terminamos.”

O preço do petróleo despencou nesta terça-feira com os investidores menos tensos após Trump ter dito no dia anterior que o conflito pode terminar em breve. O fim da guerra também permitiria que países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar retomassem a produção paralisada.

Na segunda, o petróleo chegou ao seu maior valor desde julho de 2022, quando bateu US$ 119,46. Durante a entrevista coletiva na Casa Branca, Leavitt afirmou que o aumento do preço de combustíveis seria temporário.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o conflito, que já dura dez dias, ganha contornos de guerra prolongada. Apesar da coordenação profunda entre o Pentágono e as Forças Armadas de Israel para conduzir a guerra contra Teerã, os objetivos dos dois países e o cenário preferido de cada um para o fim do conflito não estão claros —e começam, inclusive, a divergir, segundo especialistas.

Voltar ao topo