Novo líder do Irã está ferido, mas bem, diz filho de presidente

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, foi ferido no ataque que abriu a guerra dos Estados Unidos e do Irã contra a teocracia, mas encontra-se “são e salvo”. A informação foi dada por um dos filhos do presidente Masud Pezeshkian, Yusef.

“Ouvi a notícia de que Mojtaba Khamenei havia sido ferido. Perguntei a amigos que têm contatos e me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo”, escreveu nesta quarta-feira (11) no Telegram Yusef, que ocupa o cargo de assessor governamental.

Mojtaba foi eleito pela Assembleia dos Especialistas, órgão com 88 juristas islâmicos, no domingo (oito), mas desde então não fez aparição pública ou emitiu comunicado. O sumiço levou às especulações acerca de seu paradeiro.

Jornais como o americano New York Times disseram que a família de Mojtaba havia morrido ao lado de Ali Khamenei, o líder supremo da República Islâmica por 37 anos atingido no sábado retrasado (28), dia do começo da guerra.

Nesta quarta-feira, um integrante da inteligência do Estado judeu afirmou a jornalistas, de forma anônima, trabalhar com a hipótese de que Mojtaba estava levemente ferido.

Sua ocultação também pode ter a ver com o fato de que Israel já o jurou de morte. Isso porque, segundo o ministro da Defesa do país, Israel Katz, qualquer novo líder que dê continuidade ao regime é “um alvo marcado para eliminação” dada a política oficial da teocracia de querer ver o Estado judeu destruído.

Já Donald Trump, o dono desta guerra, havia dito que não queria ver Mojtaba no poder e, depois do anúncio da escolha, que tinha outra pessoa em mente para governar o país que está atacando.

O fato de o filho de Pezeshkian ir a público falar sobre o sensível tema lança ainda mais dúvidas acerca do clima político no regime.

O presidente integrava a trinca de autoridades, ao lado do chefe do Judiciário e de um aiatolá do poderoso Conselho dos Guardiões, que constitucionalmente cuidou da transição de governo.

Pelo cargo, cabia a ele o contato com líderes mundiais dispostos a apoiar o Irã, como o russo Vladimir Putin. Mas a articulação real ficava a cargo de Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional, ligado aos verdadeiros donos do poder, a Guarda Revolucionária.

Larijani assumiu o leme retórico da resistência iraniana aos ataques e manobrou uma escolha rápida de um nome próximo de seu grupo para assumir o posto de Khamenei. Mojtaba, segundo relatos, não era visto como sucessor pelo pai, que até 2024 tinha no então presidente Ebrahim Raisi o favorito —mas ele morreu num misterioso acidente de helicóptero.

Lideranças menos radicais na estrutura da teocracia, como o ex-presidente Hassan Rouhani, expressaram reservas à transparência do processo de escolha, até mesmo porque os 88 clérigos nunca se reuniram presencialmente.

Não ajudou, claro, o fato de que Israel seguiu atacando o colegiado, inclusive destruindo seu prédio de reuniões em Qom, perto de Teerã.

No sábado (sete), Pezeshkian surpreendeu ao fazer um discurso no qual pedia desculpas aos vizinhos atacados pelo Irã em retaliação por abrigarem bases dos EUA. A campanha levou caos às petromonarquias do golfo Pérsico, particularmente os Emirados Árabes Unidos, que absorveram o grosso dos ataques até aqui.

A Guarda Revolucionária ignorou o presidente, que de todo modo disse também que manteria bombardeios a países que permitissem o uso de seu território para ações americanas contra o Irã. Como disse a chancelaria do Qatar nesta terça (10), se houve ambiguidade, ela desapareceu no mesmo dia do pronunciamento.

Agora, o filho de Pezeshkian trata do paradeiro do novo líder, restando saber se isso foi combinado com a Guarda. Se morrer, o processo sucessório é retomado, com a formação do conselho com três membros para governar e a convocação da Assembleia dos Especialistas.

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