SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar e Bolsa rondam a estabilidade nesta quarta-feira (11), conforme a incerteza em relação aos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio impactam investidores e beneficiam o setor petrolífero brasileiro.
Durante o pregão, o petróleo volta a se valorizar com as tensões envolvendo EUA e Israel contra Irã. Analistas também acompanham o índice CPI, que mede a inflação dos EUA, e a pesquisa Genial/Quaest sobre as eleições presidenciais deste ano.
Às 12h49, o Ibovespa, índice de referência do mercado brasileiro, subia 0,09%, a 183.614 pontos, apagando parte dos ganhos da manhã. No mesmo horário, o dólar avançava 0,03%, cotado a R$ 5,158.
O ambiente de tensão no Oriente Médio continua impactando os preços. Nesta quarta, o Irã atacou pelo menos três navios mercantes no golfo Pérsico para reafirmar a decisão de manter o estratégico estreito de Hormuz fechado.
“Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.
Com o ambiente mais bélico, o petróleo chegou a subir 5,87%, cotado a US$ 92,96 (R$ 479,63), após despencar 11,3% na terça-feira (10) em virtude de uma fala do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o fim da guerra no Irã.
Na segunda-feira, o republicano afirmou que o conflito está “praticamente encerrado” e que Washington está “muito à frente” do prazo, inicialmente estimado entre quatro e cinco semanas. A declaração foi vista com alívio em meio às preocupações sobre o mercado de energia.
Desde que Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã no fim de fevereiro, o Oriente Médio vive um cenário de guerra regional, à medida que os ataques se espalharam por territórios vizinhos e passaram a dar sinais de que a área estratégica para o comércio de petróleo do mundo poderia estar diante de um gargalo energético.
Na segunda, o petróleo chegou a ficar próximo de US$ 120 por barril. O maior temor diz respeito ao transporte de navios no estreito, localizado na costa iraniana e por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo.
Um bloqueio prolongado do estreito poderia gerar um efeito cascata na economia mundial, com repique na inflação e, por consequência, nas taxas de juros de países já avançados dos ciclos de afrouxamento.
Para evitar que o cenário se agrave, ministros de energia dos países do G7 negociam a liberação de reservas estratégicas de petróleo. Na última terça-feira, uma reunião do bloco sobre o tema foi feita, mas um acordo ainda não foi fechado.
Os ministros aguardam uma avaliação da AIE (Agência Internacional de Energia) para definir os próximos passos. Segundo a Reuters, a agência irá recomendar a liberação de 400 milhões de barris de petróleo em sua maior ação na história.
Durante o pregão, também houve a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de fevereiro. O índice subiu 0,3% no mês passado, depois de ter avançado 0,2% em janeiro, informou o Departamento do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,3%.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o conflito no Oriente Médio ainda não refletiu no índice. “O principal desafio está relacionado aos efeitos do conflito, especialmente nos preços dos combustíveis. A prolongação do conflito tende a restringir ainda mais o abastecimento de petróleo e seus derivados, o que pode retardar a desinflação dos EUA”.
No radar dos investidores, há também a divulgação da pesquisa presidencial Genial/Quaest, que deve afetar as cotações. Segundo Datafolha divulgado no domingo, a disputa deve ir para o segundo turno e ser entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), empatados tecnicamente no pleito com o senador marcando 43% ante 46% do presidente.
No mercado de ações brasileiro, destaque para o setor petroleiro, que sobe em bloco. As ações ordinárias da Petrobras subiram até 4,7% durante o pregão; Prio e Brava avançam até 4,4% e 3,2%, respectivamente. Na ponta negativa, Raízen, que pediu recuperação extrajudicial, caía até 17,3% na mínima da sessão.