BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Banco Central decretou, na manhã desta quarta-feira (11), a liquidação da fintech Dank Sociedade de Crédito Direto.
A instituição desrespeitou as normas do BC ao emitir carta fiança sem ter autorização regulatória nem estrutura patrimonial adequada para esse tipo de operação. O caso foi parar na Justiça, e a Dark acabou perdendo em todas as instâncias.
No ato em que formaliza a operação, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, diz que a decisão considerou o “o grave comprometimento da situação econômico-financeira e as graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição”.
Segundo decisão assinada pelo Presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador João Batista Moreira, a Dank “não atende aos requisitos patrimoniais para a emissão de garantias, uma vez que não estaria dentro dos limites operacionais, colocando em risco terceiros que, conforme já assinalado, possam ser impactados por eventuais inadimplências, inclusive a administração pública.”
“Sob esse ponto de vista, percebe-se que a continuidade da emissão de cartas de fiança por uma instituição sem estrutura patrimonial adequada e sem autorização regulatória representa risco significativo ao mercado financeiro, podendo gerar impactos sistêmicos e prejuízos a terceiros de boa-fé que venham a confiar nas garantias prestadas”, acrescenta.
Em setembro de 2025, última atualização disponível do IFData, a Dank registrava passivo de R$ 44,8 milhões, patrimônio líquido de R$ 975 mil e prejuízo de R$ 1,355 milhão.
A instituição integrava o segmento S5 para regulação do BC, composto por instituições e conglomerados não bancários com perfil de risco simplificado, de porte inferior a 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto).
O modelo de negócio de uma sociedade de crédito direto tem como característica a realização de operações de crédito com recursos próprios. Ou seja, não pode fazer captação de recursos do público.
Além de operações de crédito, esse tipo de instituição pode prestar serviços como análise de crédito para terceiros e cobrança de terceiros, distribuição de seguro relacionado a operações concedidas por meio de plataforma eletrônica e emissão de moeda eletrônica.
Nas redes sociais, a fintech se apresentava como Dank Bank e oferecia serviços como emissão de CCB (cédula de crédito bancário), crédito consignado, risco sacado e atuação como BaaS (Banking as a Service) -modelo permite que empresas de diferentes segmentos do mercado ofereçam serviços financeiros que antes eram exclusividade de bancos.
O BC nomeou como liquidante a empresa Faccio Administrações, tendo como responsável técnico Valdor Faccio. Em decorrência da liquidação, ficam indisponíveis os bens do controlador Alcir Vidau Oldenburg e dos ex-administradores Ana Paula Bueno Cavalcante, Cláudio Roberto Alves e Tiago Coelho Przywitowski.
Segundo Oldenburg e Przywitowski, apesar da Dank ter recebido autorização do Banco Central para funcionar em 2022, a empresa não realizou operações de crédito na gestão deles. Eles dizem também que, no fim de 2023, foi iniciado um processo de transição de titularidade da licença para novos controladores.
Em nota enviada por seus representantes, os ex-administradores reforçaram que a liquidação extrajudicial da Dank não está relacionada a ações ou à gestão deles e que ambos não têm mais vínculo com a empresa desde o fim de 2023. Eles também reafirmaram “compromisso com a transparência e com o cumprimento das obrigações legais e regulatórias”.