SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A AIE (Agência Internacional de Energia) informou nesta quarta-feira (11) que os 32 países que integram o órgão aceitaram liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas, o maior movimento desse tipo na história da organização.
A medida visa conter a alta dos preços do petróleo em meio à guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã.
No entanto, após dois dias de intensas oscilações com a sinalização do presidente Donald Trump para um possível fim da guerra, o barril Brent, referência global, teve alta de 6,74% nesta quarta, e fechou cotado a US$ 93,72. Os preços subiram mais de 25% desde o início da guerra.
A agência disse que a liberação foi aprovada por unanimidade e que o cronograma será definido por cada país, de acordo com as suas possibilidades. O Brasil não está entre os 32 países membros da AIE.
Segundo pessoas ouvidas pela agência de notícias Reuters, a liberação seria espaçada por pelo menos dois meses, enquanto a ministra de Energia da Espanha afirmou que os países terão até 90 dias para liberar esse volume.
A liberação proposta equivale a quatro dias de produção global e 16 dias do volume de petróleo que transita pelo golfo pérsico, estimaram os analistas da Macquarie. “Se isso não parece muito, é porque não é”, disseram os analistas em nota.
Os preços do petróleo também ignoraram um relatório do governo americano que mostrou que os estoques da commodity no país cresceram mais do que o esperado na semana passada. Já os estoques de combustíveis refinados nos EUA caíram mais do que o esperado, segundo o relatório.
Em 2022, com o início da guerra na Ucrânia, os países membros da AIE liberaram 182,7 milhões de barris em dois meses, até aquele momento o maior volume da história.
Na noite desta quarta, o governo dos EUA anunciou a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica como parte da medida da AIE. Os governos do Japão e da Alemanha divulgaram que vão liberar 40 milhões de barris e 19,5 milhões de barris, respectivamente.
O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, afirma que a medida é importante, mas que a preocupação com o fornecimento do petróleo só cessará com a liberação do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
“O mais importante para o retorno a fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo estreito de Hormuz”, declarou.
Empresas de segurança marítima e de risco afirmaram nesta quarta que mais três navios foram atingidos por projéteis no estreito. Isso elevou o número de embarcações atingidas na região para pelo menos 14 desde o início da guerra.
O transporte marítimo ao longo do estreito está quase paralisado desde o início dos ataques em 28 de fevereiro, impedindo as exportações de cerca de 20% da oferta mundial de petróleo e fazendo com que os preços globais do petróleo subam para níveis não vistos desde 2022.
O presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos estão preparados para escoltar navios pelo estreito de Hormuz quando necessário. No entanto, a agência Reuters disse que a Marinha norte-americana recusou pedidos do setor porque o risco de ataques é muito alto por enquanto.
O secretário de Interior dos EUA, Doug Burgum, afirmou que a decisão da AIE ocorre em um momento oportuno.
“Não temos uma escassez de energia no mundo, mas um problema de transporte marítimo, que é momentâneo. Por isso, é o momento perfeito para pensar em liberar essas reservas”, afirmou em entrevista à emissora Fox News.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a intenção é organizar o cronograma de liberação do petróleo nos próximos dias. Segundo ele, a França deve repassar 14,7 milhões de barris e que precisará de algumas semanas para definir a logística para o transporte da carga.
As economias ocidentais coordenam seus estoques estratégicos de petróleo por meio da AIE, que foi criada após a crise do petróleo da década de 1970. O órgão estima que os 32 países-membros devem ter uma reserva de 1,2 bilhão de barris de petróleo.
“Em princípio, apoiamos a implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas”, comunicaram os ministros de Finanças do G7 na última segunda-feira (9) após uma reunião virtual.
Uma autoridade do G7 disse à Reuters que, embora nenhum país enfrente atualmente uma escassez física de petróleo bruto, os preços estão subindo drasticamente e deixar a situação sem supervisão não é uma opção.
No entanto, qualquer liberação real não pode começar imediatamente porque as decisões sobre aspectos como alocações de países e cronograma exigem mais discussões, declarou essa pessoa.
O governo do Canadá afirmou que solicitará às empresas petrolíferas do país que liberem parte de suas reservas para apoiar o plano da AIE. “Estamos fazendo a nossa parte do mundo, mas podemos fazer mais. Podemos aumentar a produção ao máximo por breves períodos”, comentou o ministro de Energia, Tim Hodgson.