[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O IPCA acelerou de janeiro (0,33%) para fevereiro (0,70%), com pressão de mensalidades escolares e passagens aéreas. Mas a taxa acumulada em 12 meses deixou a casa dos 4% pela primeira vez em quase dois anos – desde maio de 2024 – e chegou a 3,81%. É a menor taxa desde abril daquele ano (3,69%). O índice oficial da inflação no Brasil ficou acima de 5% em oito dos 12 meses de 2025. Neste momento, está abaixo da projeção do Focus para este ano (3,91%), segundo o boletim mais recente. Por enquanto, o resultado não reflete possíveis efeitos da guerra no Irã e seus possíveis efeitos sobre o petróleo – o preço do barril já chegou a superar os US$ 100.
Segundo o economista Luiz Otávio Leal, da G5 Partners, a incorporação dos efeitos do conflito só deve ocorrer a partir de março, “mesmo considerando que não houve alterações nos preços das refinarias da Petrobras”. No IPCA de fevereiro, o preço médio dos combustíveis caiu 0,47% – o da gasolina recuou 0,61%, enquanto o do etanol subiu 0,55%.
Entre os nove grupos que compõem o índice, Educação teve a maior variação mensal (5,21%) e também o maior impacto (0,31 ponto percentual, 44% do IPCA de fevereiro). Os cursos regulares tiveram alta de 6,2%, devido a ” reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo”. Os subitens ensino médio, ensino fundamental e pré-escola registraram aumentos de 8,19%, 8,11% e 7,48%, respectivamente.
Habitação foi de -0,11%, em janeiro, para 0,30% no mês passado. Segundo o IBGE, houve impacto da taxa de água e esgoto (0,84%), com reajustes em Porto Alegre, Belo Horizonte, Campo Grande e São Paulo. A energia elétrica subiu 0,33%, enquanto o preço do gás encanado recuou 1,60%. Já o grupo Alimentação e Bebidas teve pequena variação, de 0,23% para 0,26%. O instituto apurou altas de produtos como açaí (25,29%), feijão carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%). Entre as quedas, destaque para frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%). A alimentação fora do domicílio desacelerou, de 0,55% para 0,34%: a refeição variou 0,49% (0,66% no mês anterior) e o lanche, 0,15% (0,27%).
O analista da G5 lembrou que o resultado do IPCA veio acima do esperado pelo mercado (0,63%). Ele apontou como um dos “vilões” o grupo Transportes, que subiu 0,74% e teve impacto de 0,15 ponto no resultado geral – as passagens aéreas, por exemplo, subiram 11,4% (0,08 ponto). E fez referência à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana que vem. “O BC terá uma tarefa difícil”, disse. “Terá que sobrepesar o cenário prospectivo de inflação com a incerteza de uma guerra ainda em andamento.” Ele aposta em corte de 0,25 ponto e projeta inflação de 4,2% em 2026.