Delcy é parte da estrutura criminosa de Maduro e transição será gradual, diz Corina

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SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) – A líder opositora María Corina Machado afirmou que o processo de transição de poder na Venezuela após a queda de Nicolás Maduro não será simples e nem rápido.

Para um grupo de jornalistas internacionais e representantes de meios digitais comandados por venezuelanos que vivem no Chile, a líder antichavista reconheceu que o processo iniciado após a queda do ditador Nicolás Maduro e a instalação da líder interina Delcy Rodríguez no poder é angustiante, mas que trata-se de um processo de transição necessário.

“A senhora Delcy é parte da estrutura criminosa do regime de Nicolás Maduro, é o vínculo com o Hezbollah, teve papel fundamental como vice-presidente. Estamos vendo como estão dando passos para cortar o fluxo de recursos que sustentam esse regime, para repressão, para a violência e suas atividades criminosas.”

María Corina disse ainda que a transição deve avançar, mas de forma segura e ordenada. “Não vamos parar até que tenhamos uma Venezuela realmente livre.”

Ela declarou que ainda não estão dadas as condições para eleições livres no país, e comparou o pleito de 2024 a uma partida de futebol com 18 jogadores de um lado e 8 no outro.

“Estamos avançando, o 3 de janeiro foi há nove semanas e olhe como já avançamos. Esse processo busca agilizar a transição, isso dizia a comunicação dos EUA. Esperamos que seja da maneira mais ordenada possível e o mais cedo possível.”

A antichavista rechaçou qualquer processo de vingança contra os chavistas, caso chegue ao poder, mas reforçou a necessidade de recuperar o sistema de Justiça do país, para que eles passem por um processo judicial no futuro.

“Não se trata de vingança, somos diferentes deles, mas é preciso justiça. Não será uma transição fácil, mas estudamos outros processos, como o espanhol, para aprender com eles”, disse.

“É natural se sentir angustiado, vivemos isso. Mas os venezuelanos sabem que ganhamos isso de forma difícil e temos que ter certeza de cada passo que damos seja firme. A única nação que deu a vida pela Venezuela foram os Estados Unidos.”

A opositora reclamou dos que a criticaram por entregar a medalha do Nobel da Paz ao presidente americano, Donald Trump, e disse que sem ele a Venezuela não estaria a caminho de uma transição.

“Há um aliado fundamental, que é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além do secretário Marco Rubio”, disse ao comentar a operação que capturou o ditador Nicolás Maduro em janeiro.

A entrevista de María Corina ocorreu num hotel Sheraton em Santiago, um dia após ela participar da posse de José Antônio Kast no Congresso chileno, em Valparaíso. Ela também almoçou com o novo presidente e se reuniu com diferentes autoridades, como o rei da Espanha, Felipe 6º.

O esquema de segurança para entrar na sala organizada para a imprensa era mais forte do que o protocolo para a cobertura da cerimônia de posse de Kast, com credenciamento antecipado e revista.

Na conversa com os jornalistas, María Corina também criticou instituições de esquerda que se opuseram ao seu prêmio Nobel, como o Partido Comunista do Chile.

“O prêmio Nobel foi dado à sociedade Venezuelana. Há atores que, por suas diferenças comigo, me criticam, mas chamar de extremista a luta pela liberdade?”

Sobre a promessa de campanha de Kast de deportar imigrantes sem documentação —entre eles, um grande número de venezuelanos—, ela disse que está a favor dos venezuelanos “de bem”, que não cometeram crimes e que essas pessoas serão apoiadas e protegidas.

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