Dívida da CSN voltar a subir, e empresa diz que deve fechar empréstimo nos próximos dias

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após três trimestres de queda, o endividamento da CSN voltou a subir no quarto trimestre de 2025, de acordo com dados apresentados pela empresa nesta quinta-feira (12). Ao todo, o grupo fechou o ano com uma dívida de R$ 41,22 bilhões, 3,47 vezes superior a seu Ebitda, métrica que calcula os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

A empresa planeja a venda de parte de seus negócios de cimento e um empréstimo junto a bancos.

O grupo de Benjamin Steinbruch vive uma de suas piores crises financeiras desde sua fundação. Analistas do mercado financeiro e credores da empresa demonstram há meses preocupações com os débitos do grupo.

Nesta quinta, durante a apresentação dos resultados, executivos da empresa reforçaram os planos da CSN de vender seu controle no segmento de cimento, responsável por 10,9% do Ebitda (indicador que também mede a geração de caixa) do grupo em 2025.

A negociação é vista pelo grupo como uma das soluções para reduzir as dívidas e, segundo Marco Rabello, diretor financeiro e de relações com investidores, deve ser concretizada no terceiro trimestre deste ano.

De acordo com ele, a CSN recebeu ofertas de interessados da Ásia, da Europa e do Brasil logo após anunciar o interesse na venda. “Temos um processo super saudável”, diz Rabello. Ele apontou, no entanto, complexidade para a venda de uma fatia minoritária no segmento de logística da empresa, outra estratégia do grupo para reduzir suas dívidas –ainda assim, mantém o desejo de concluir a venda também no terceiro trimestre.

A investidores o executivo disse também que nos próximos dias a empresa deve anunciar um empréstimo com bancos, usando os ativos de cimento como garantia. Ele não revelou valores, mas deixou claro que comentava notícias publicadas nos últimos dias —todas citavam um empréstimo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bilhões). A operação é esperada pela empresa como uma solução de curto prazo para as dívidas.

Ainda nesta quinta, os executivos do grupo celebraram as medidas antidumping contra siderúrgicas chinesas anunciadas pelo governo em fevereiro. Como a Folha mostrou, essas medidas tendem a reduzir a competitividade no mercado nacional de aço, hoje bastante pressionado pelas importações baratas da China. Por outro lado, a CSN teme que os chineses possam usar outros países asiáticos, como o Vietnã, para contornar as sanções.

“Acredito que com as medidas tomadas pelo governo de antidumping contra as importações, que nos atingiram em cheio, o mercado brasileiro vai voltar à normalidade e trabalhar de forma previsível sem essas atitudes agressivas e conturbadas de importação”, afirmou Steinbruch, que também é presidente do grupo.

RESULTADOS

Balanço divulgado pelo grupo nesta quarta (11) apontou que a CSN registrou prejuízo líquido de R$ 721,2 milhões no quarto trimestre de 2025, oito vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. A empresa credita o resultado ao impacto da ociosidade operacional e perdas de estoques relacionadas à parada de um alto-forno no período.

O Ebitda da empresa no quarto trimestre foi de R$ 3,3 bilhões, uma queda de 0,3% em relação ao ano anterior. Já nos valores consolidados de 2025, a CSN fechou o ano com um Ebitda de R$ 11,8 bilhões, 15,3% a mais do que no ano anterior.

A maior parte do Ebitda da CSN vem das operações de mineração da empresa, que bateram recorde de produção no ano passado, ultrapassando pela primeira vez a venda de 45 milhões de toneladas de minério de ferro.

RAIO-X | CSN

Fundação: 1941

Ebitda em 2025: R$ 11,8 bilhões

Venda de aço em 2025: 4,2 milhões de toneladas

Venda de minério de ferro em 2025: 45,8 milhões de toneladas

Funcionários ao fim de 2024: 30 mil, diretos e indiretos

Principais concorrentes: Gerdau, ArcelorMittal, Usiminas e Ternium

Voltar ao topo