SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um tribunal federal em San Francisco, nos Estados Unidos, concedeu uma liminar à Amazon em sua disputa com a startup de inteligência artificial Perplexity AI pelo uso de bots de compras automatizados.
A decisão foi tomada pela juíza distrital Maxine Chesney, da Corte Federal do Distrito Norte da Califórnia, no último dia 10, que considerou haver indícios suficientes de que a ferramenta da Perplexity pode estar acessando contas de clientes da Amazon sem autorização.
A magistrada determinou uma liminar que bloqueia temporariamente o uso do agente de compras da startup dentro da plataforma de comércio eletrônico. Ao mesmo tempo, suspendeu a execução da medida por sete dias para permitir recurso. A Perplexity já recorreu da decisão.
Em nota, a empresa afirmou que continuará defendendo “o direito dos usuários de internet de escolher qualquer IA que quiserem”.
A Amazon, por sua vez, disse que a decisão representa “um passo importante para manter uma experiência de compra confiável para os clientes”.
O processo foi aberto pela Amazon em novembro do ano passado. A companhia acusa a Perplexity de acessar secretamente contas privadas de clientes por meio do navegador da startup, chamado Comet, e de um agente de inteligência artificial integrado a ele.
Segundo a ação, o sistema automatizado seria capaz de realizar compras em nome dos usuários, simulando comportamento humano na navegação. A Amazon afirma que essa prática representa riscos à segurança dos dados dos clientes e que a startup teria ignorado pedidos para interromper o funcionamento da ferramenta.
A Perplexity contesta as acusações. Em sua defesa, a empresa afirma que o processo é uma tentativa de impedir que usuários utilizem seu navegador e seus agentes de IA para fazer compras online.
A startup também criticou o modelo de negócios da varejista, afirmando que agentes de inteligência artificial “não têm olhos para ver a publicidade invasiva com que a Amazon bombardeia seus usuários”.
Ao conceder a liminar, Chesney escreveu que a Amazon apresentou “fortes evidências” de que o agente da Perplexity teria acessado seus sistemas de forma ilegal.