Inflação resiste na Argentina, mas Milei promete queda contundente nos próximos meses

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Grande cavalo de batalhas do governo de Javier Milei, a inflação na Argentina fechou em 2,9% em fevereiro, conforme divulgou nesta quinta-feira (12) o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos).

Em 12 meses até fevereiro o índice foi de 33,1%, superior ao registrado no mês anterior. Em janeiro, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) também marcou 2,9% e, em 12 meses, 32,4%. Os analistas já não esperavam grandes variações para o mês seguinte.

O governo promete que a inflação irá começar a cair de forma mais contundente após o primeiro trimestre. Ao se encontrar com empresários nesta semana em Nova York, o presidente argentino voltou a falar em uma inflação abaixo de 1% entre junho e agosto de 2026.

O presidente baseia essa projeção na queda da inflação no atacado e no programa econômico de seu governo, que busca uma estabilidade de preços.

As estimativas das consultorias privadas, no entanto, divergem de Milei, apontando uma inflação de 1,7% em junho e 1,5% em agosto.

Além de ser uma previsão mais otimista que as projeções da maior parte dos consultores, essa promessa foi renovada por Milei algumas vezes -ele prometeu uma inflação começando em zero para dezembro de 2025 ou no início de 2026.

Fatores como o preço da cesta básica, tarifas reguladas pelo governo e combustíveis eram apontados como a principal influência nos dados de fevereiro.

Os consumidores argentinos se queixam que a inflação segue firme, acima de 2% por cinco meses consecutivos e em aceleração desde junho passado.

Nos supermercados de Buenos Aires, é mais comum encontrar promoções “Dois por um”, como uma forma de reduzir os estoques e contornar a queda do consumo, do que perceber uma queda dos preços.

A consultoria Analytica previa uma inflação de 2,8% para fevereiro, uma leve queda em comparação ao mês anterior. Por outro lado, a Eco Go esperava uma inflação entre 2,9% e 3%, indicando uma leve aceleração.

Os próximos meses tendem a ser desafiadores para a equipe econômica, e os argentinos ainda esperam os impactos nos preços dos combustíveis da guerra no Irã, apoiada por Milei, além de uma tendência que já estava sendo observada de aumento da inflação por mais de cinco meses.

Em relação aos alimentos, um relatório da LCG indica que, embora tenha havido uma ilusão de diminuição nos preços, isso se deve a uma estabilização temporária.

Nos últimos meses, após uma queda temporária nos preços das carnes e de bebidas após um longo período de alta, os alimentos voltaram a subir.

Os dados de inflação da Cidade Autónoma de Buenos Aires, que atingiram 2,6% em fevereiro, servem como um indicativo do índice nacional.

O aumento nos preços dos alimentos e dos combustíveis foram os principais responsáveis pela inflação elevada.

O governo ainda deve de passar por um escândalo no Indec, após suspender o novo IPC, que seria lançado em janeiro para substituir o atual índice de preços, mas a equipe econômica de Milei desistiu da mudança e o presidente do instituto acabou renunciando. O novo índice ainda não tem data prevista de publicação.

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