Cerca de 20 mil pessoas -entre marinheiros, passageiros de navios de cruzeiro, trabalhadores portuários e tripulações offshore- permanecem retidas na região do Golfo Pérsico.
A declaração foi feita por Arsenio Dominguez, secretário-geral da OMI (Organização Marítima Internacional), agência da ONU (Organização das Nações Unidas). Ele demonstrou preocupação com a escalada de tensão no Estreito de Hormuz, considerada a principal rota marítima para exportação de petróleo no Oriente Médio. O Irã decidiu fechar para navegação após iníco de conflito com EUA e Israel. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou retaliar.
“Cerca de 20 mil marinheiros permanecem presos no Golfo Pérsico, a bordo de navios sob risco elevado e grande pressão psicológica”, disse Arsenio Dominguez, da OMI.
O secretário-geral citou a morte de pelo menos quatro marinheiros até a última terça-feira. Ontem, o Irã voltou a atacar dois navios petroleiros estrangeiros no Golfo Pérsico. Uma pessoa morreu e 38 tripulantes foram resgatados, segundo apuração feita pela rede de TV CNN.
“Isto é inaceitável e insustentável. Todas as partes e interessados têm a obrigação de tomar as medidas necessárias para a proteção dos seus direitos marítimos, incluindo os seus direitos e bem-estar, e a liberdade de navegação, em conformidade com o direito internacional”, disse Arsenio Dominguez, da OMI.
O Irã reivindicou a autoria dos bombardeios de ontem. A emissora estatal Irib disse que drone submarino foi utilizado pelas forças militares iranianas para “explodir dois petroleiros no Golfo Pérsico esta noite”.
Os navios foram atacados enquanto estavam parados em terminal marítimo para carregamento de petróleo. Eles tinham bandeiras de Malta -o petroleiro se chama Zefyros- e as Ilhas Marshall -este batizado de Safesea Vishnu.
Os portos petrolíferos suspenderam as operações após o ataque. O tenente-general Saad Maan, chefe de imprensa do comando de operações conjuntas do Iraque, classificou a ação iraniana como “uma violação da soberania iraquiana”. Ele afirmou ainda que o país terá “o direito de tomar medidas legais”.
TRIPULANTES PRESOS EM NAVIO TAILANDÊS ATACADO
Pelo menos três tripulantes estão presos a bordo de um navio cargueiro tailandês. A embarcação foi atingida por projéteis enquanto navegava pelo Estreito de Hormuz. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ontem ter atacado a embarcação Mayuree Naree, registrada na Tailândia, e um navio com bandeira da Libéria porque as embarcações ignoraram “avisos”.
Projéteis teriam danificado a casa de máquinas do Mayuree Naree. Além disso, o episódio provocou um incêndio, informou a empresa tailandesa Precious Shipping em comunicado. O navio foi atingido enquanto navegava pelo Golfo Pérsico, após partir do Porto de Khalifa, nos Emirados Árabes Unidos.
Ataques a navios fica em região próxima a Estreito de Hormuz. Desde o início do conflito, o Irã tem reafirmado controlar a passagem dos navios naquela que é considerada a principal rota marítima de petróleo no Oriente Médio. O país ameaçou ainda atacar qualquer embarcação que passasse por lá.
GUERRA JÁ CUSTOU BILHÕES DE DÓLARES AOS EUA
O preço alto pago por americanos pelo conflito no Irã. As autoridades do Pentágono disseram que a guerra no Irã já custou aos Estados Unidos o valor de US$ 11,3 bilhões (ou R$ 57,9 na cotação atual), em apenas seis dias, segundo informou o jornal The New York Times.
A reunião entre governo Trump e parlamentares ocorreu a portas fechadas no Capitólio. A estimativa apontada não incluiu alguns dos custos associados à operação. O jornal citou três pessoas familiarizadas com o evento.
“Por esse motivo, os parlamentares esperam que o número aumente consideravelmente à medida que o Pentágono continua a calcular os custos acumulados apenas na primeira semana”, disse o The New York Times.
EUA estão em conflito contra o Irã desde o final de fevereiro. Ao lado de Israel, o país lançou ofensiva militar em Teerã que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. O segundo filho dele, Mojtaba Khamenei, foi eleito para sucedê-lo.
Os Estados Unidos atingiram pelo menos 5.000 alvos durante os 12 dias de conflito. Segundo a rede de TV americana CBS News, dos cinco mil alvos, 50 navios iranianos foram destruídos ou danificados e 30 bases ou instalações militares atingidas. Os dados foram fornecidos pelo Centcom (Comando Central dos Estados Unidos).