SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A guerra contra o Irã custou em seus primeiros seis dias o equivalente a quase metade do gasto militar do Brasil durante um ano, chegando a US$ 11,3 bilhões (R$ 58,4 bilhões).
O valor foi informado por autoridades do Pentágono em uma reunião reservada com membros do Congresso americano, segundo reportagem do jornal New York Times. O governo Donald Trump não confirmou nem contestou os números.
O valor se refere exclusivamente a custos operacionais, como o emprego de munição, voos de aeronaves e manejo de navios. Ele não inclui a extensa preparação para o conflito a partir de janeiro, quando Trump ameaçou pela primeira vez voltar a atacar o Irã.
Em 2025, ele havia ordenado um ataque contra o programa nuclear do país, no âmbito da guerra de 12 dias que a teocracia travava contra Israel, mas foi um lance único que levou a um cessar-fogo.
O gasto divulgado deve estar subestimado, já que, na semana passada, tanto o NYT quanto o Washington Post afirmaram que, apenas com mísseis, bombas e interceptadores o Pentágono havia torrado US$ 5,6 bilhões (R$ 28,9 bilhões) nos dois primeiros dias do conflito. Ninguém contestou o dado.
As armas americanas são caras. Cada míssil de cruzeiro Tomahawk, lançado às dezenas até aqui, não sai por menos de US$ 1,3 milhão (R$ 6,8 milhões) a unidade. Bombas planadoras AGM-145, empregadas contra defesas antiaéreas, podem custar até US$ 800 mil (R$ 4,1 milhão) a depender da versão.
Seja como for, o valor citado agora demonstra a enormidade de recursos à disposição de Washington. No ano passado, segundo o britânico IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, na sigla inglesa), os EUA foram responsáveis por 35% do gasto militar global.
Foi uma montanha de US$ 921 bilhões (R$ 4,7 trilhões), usada para manter a maior força bélica da história. No ranking do IISS, o Brasil vem em vigésimo lugar, com US$ 24,3 bilhões (R$ 125 bilhões) despendidos ao longo de 2025.
Com o orçamento previsto de mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões) para este ano por Trump, mais os gastos adicionais ora imprevisíveis na guerra, é presumível que 2026 bata um novo recorde no dispêndio com defesa global, que vinha sendo puxado pelo aumento da preocupação com o setor na Europa, no contexto da Guerra da Ucrânia.
O IISS afirma haver muita opacidade no orçamento militar do Irã, mas ele é incomparavelmente menor, estimado em US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões) no ano passado. A economia do país está estrangulada por sanções há anos, mas a guerra demonstra que seus investimentos foram em capacidades assimétricas eficazes.
O país tem usado, ainda que de forma decrescente, um notável arsenal de mísseis balísticos e drones. Segundo analistas, são todos modelos bastante simples, mas dotados de grande acurácia a destruição de sistemas de radar americanos no golfo Pérsico e, agora, de instalações petrolíferas de aliados dos EUA na região.
Já Israel, parceiro dos EUA no combate, vinha aumentando seu investimento em defesa nos últimos anos, particularmente após o ataque terrorista do Hamas de 2023. Em 2025, gastou US$ 39,7 bilhões (R$ 204 bilhões), ocupando o 13º lugar do ranking.
Em proporção do PIB aplicado a defesa, os 6,5% do Estado judeu são o maior gasto no Oriente Médio, pouco acima de outros países da região que foram alvo de retaliação iraniana por terem bases dos EUA: Omã (6,3%), Arábia Saudita (5,7%), Kuwait (5,2%), Iraque (4,85) e Qatar (4,5%).
Nominalmente, os sauditas têm o maior orçamento, de US$ 72,5 bilhões em 2025, o sétimo maior do mundo segundo o IISS. Como Israel e outros vizinhos regionais, o foco de Riad é em equipamento avançado, com predominância de armas americanas.